Há um fio que não se vê, mas se sente, entre o que somos e o que fingimos ser, e ainda o que poderíamos ser. Entre o que lembramos e o que inventamos ou simulamos ter vivido. Estes contos não prometem consolo, mas podem funcionar como rede. Prometem: a precisão do desconforto, o susto da realidade surreal ou quase. Rede, porque funcionam como o próprio material se propõe, não somente criar labirintos e percorrer com leitores seus universos, mas como potencial para tentar acolher suas angústias, lembranças, romances, sensações e emoções. São personagens que sobrevivem na metade de si, ou quase, ou como duplos. Um homem que perdeu todos os sentidos e ainda assim caminha. Uma mulher que se olha no espelho e não se reconhece. Um feirante que transforma a miséria em presente. Um gêmeo usurpou uma vida inteira e só descoberto quando já tarde demais. O fio tênue do título não é metáfora. É onde a literatura pode ser honesta e pungente, nessa linha instável entre a vigília e o sono, entre a lucidez e a loucura, entre estar vivo e apenas continuar. Estes contos insistem em percorrê-la. Entrelaçando fios e possibilitando tecer outras camadas de nós mesmos. Com precisão.
Lucian Lourenço é escritor, roteirista e professor universitário nascido em Fortaleza, Ceará. Mestre em psicologia pela UFC, transita entre a ficção literária, o audiovisual e a pesquisa acadêmica com a mesma inquietação — a de quem escreve para tocar, não para exibir. Autor de Sempre é muito tempo, teve conto selecionado pelo Portal Literal com curadoria de grandes nomes da literatura brasileira. O fio tênue é sua segunda obra publicada.
Título da obra: O fio tênue
Autor(a): Lucian Lourenço
Gênero da Obra:
Formato: Conto
ISBN: 14x20
Número de páginas:
Editora: Caravana
Capa e editoração eletrônica: Ayumi Shimamoto





Não tem nenhuma avaliação