Cada vez mais a racionalidade domina o prazer, as relações, nosso pensar e expressar. O aspecto animalesco, em desejo cru e pulsante, é deixado de lado, condenado e proibido. Reprimidas, essas vontades se transformam em negação e ódio, que atinge a nós e aos outros. É necessário conversar e ter ternura com elas, dolorosas ou prazerosas — afinal, dor e prazer andam juntas. Através dos poemas de Ana, há a possibilidade de um encontro entre corpos diversos, com curvas, imperfeições e animalidade expressa em prazeres, dores e angústias. Podemos desconhecer menos nossa pele e nossos seres internos, penetrados em alteridade — em sons que criam sentido imanente para vida, num devir foder, já que o metafísico enrijece o corpo e tira sua subjetividade. Este livro talvez seja uma religião do prazer, com seus ritos, confissões em fricções e a possibilidade de sentir o paraíso e o inferno na terra. De seus gozos nasce um ser incorpóreo: o ser do prazer, exposto em sua irracionalidade simbólica.
Gustavo Zavitoski

Ana Karolina é escritora e designer gráfica em publicidade. Nasceu em 2003, em Guarulhos, São Paulo. Escreve antes de ter aprendido a escrever. Olhar atento, os sentidos aguçados, imaginação fértil. Escreve como quem deixa um rio seguir seu curso: ora jorrando com força, numa correnteza arrebatadora; ora brotando delicadamente, como uma nascente escondida entre as pedras.



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