Bem-vindo ao delírio, caro leitor. Aqui neste livro encontrarás o sonho e sua camuflagem do desejo. Na literatura contemporânea, especialmente na poesia, é incomum encontrar um jovem poeta navegando com tanta fluidez nos mares de Breton. Soa anacrônico perceber que há, sim, poesia mergulhada no surrealismo, nas instâncias do sonho, na reverberação do inconsciente como matéria poética. Um poeta é sempre aquele que caminha em regiões onde a realidade se reveste de mil sentidos, causando estranhamento (bem no sentido freudiano). Os poemas deste “Canção para o delírio” (Caravana, 2026), assinado por Mardson Soares, formam um surpreendente catálogo de imagens desconcertantes, de rompantes que desafiam a lógica e a expectativa chã. São poemas que, numa camada manifesta, lidam com elementos da natureza, como pássaros, flores, cores, frutas, raios, trovões, vento, e extraem, num ousado mergulho, a pulsação vigorosa da existência oculta na instância latente das coisas.
Leonardo Almeida Filho

Mardson Soares nasceu em Bom Jesus, Piauí, em 13 de setembro de 1992. É poeta e cronista, diplomado em Direito pela Universidade Católica de Brasília e membro da Associação Nacional de Escritores (ANE).



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