Há livros que se leem. Boquário se come. Fernanda Oliveira arma aqui um breviário profano — uma Liturgia das Horas em que cada hora canônica do dia se converte numa boca faminta, de Matinas a Completas. São contos que rezam o desejo pela única via que o corpo conhece: a da fome. A que nunca desmamou, a que fala em línguas de fogo, a que sobe ao palco às três da tarde para morrer um pouco diante da plateia, a rainha que oferece o próprio peito à serpente — todas atravessadas por uma só obsessão, o comer e o ser comido, o gozo como morte do ego. Esta é uma prosa de pontuação cortante e blasfêmia lúcida, escrita por uma mulher que a Amazônia criou e que traz para a cena erótica a mística de uma mulher potente, segura de si, feroz, selvagem e carnívora. Uma missa rezada no corpo
Fernanda Oliveira nasceu em Maringá, PR, e, ainda menina, mudou-se para Porto Velho, RO, onde vive desde então. Escritora e multiartista, na Universidade Federal de Rondônia, formou-se em letras português e seguiu caminho na pesquisa dedicada à escrita de mulheres e temas subversivos, dentro do mestrado em estudos literários. Transita entre a poesia, o conto e a prosa experimental, numa linguagem erótica e blasfema, atenta ao corpo e ao desejo. Além de tudo, também é Mãe, e faz da maternidade e do desejo faces de uma mesma fome.
Título da obra: Boquário
Autor(a): Fernanda Oliveira
Gênero da Obra: Conto
Formato: 14x20
ISBN:
Número de páginas:
Editora: Caravana
Capa e editoração eletrônica: Ramiro Magalhães





Não tem nenhuma avaliação