Em Portugal, diz-se que algo “sabe a” quando “tem sabor de”. Portanto, o título Sabe a amor usa o deslocamento como uma de suas chaves, ao mesmo tempo em que revela a multiplicidade do sentimento a que se dá o nome de Amor. Aqui, cada conto parte de um sabor — comida, fruta ou bebida — para traduzir o que fica intimamente guardado no corpo, através de narrativas que constituem partes da experiência humana. A escrita de Carolina tem essa delicadeza: olhar para gestos mínimos da vida e revelar neles uma intensidade inesperada. Seus contos têm o gosto particular das memórias que permanecem na língua e na lembrança. Conheci Carolina primeiro como leitora, dessas que chegam ao clube de leitura com curiosidade, sensibilidade e muitas perguntas. Com o tempo, tive a alegria de acompanhar o nascimento da escritora, movimento que ela própria narra em Vila de Papel, seu primeiro livro, em que conta como a experiência em um coletivo de leitura transformou sua relação com a literatura e com a vida. Por isso, Sabe a Amor tem, para mim, um sabor especial.
Daniela Pierre

Carolina Lins nasceu no Rio de Janeiro, em 1983. Se formou em direito da UERJ, fez mestrado em direito de energia e recursos naturais na Queen Mary University of London e doutoramento em direito público na Universidade Nova de Lisboa. Trabalha com direito público desde 2006. Depois da maternidade, começou a estudar também neurociências, comportamento e desenvolvimento infantil, com pós-graduações na PUC-RS. Atualmente, dedica-se aos filhos, ao trabalho e à paixão pela literatura. Seu primeiro livro, Vila de Papel, foi publicado em 2025.



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