Musgos crescem em lugares sombrios. Qualquer superfície recoberta pelo musgo se torna um ecossistema vivo. E o poema, ao se valer da palavra, é também capaz de tornar o sombrio habitável. A linguagem, falada ou não, é o que nos permite entrar e fazer parte do mundo – construir laços. E estes laços, que só existem porque existe a linguagem, são como nos mostra o poema “éramos seis”: cada frágil membro familiar se constitui somente à medida que se enlaça ao outro, e assim como o musgo é o que prepara o solo para outros vegetais, o ser só é porque outros são. Musgos colonizam superfícies desnudas. Poemas pretendem contornar com palavras o mais puro da experiência, o inominável. São uma possibilidade de sentir a dor, sem se deixar soterrar ou emudecer por ela. Em “não há nada lá fora” o eu lírico que se encanta com a morte e cogita “se deixar” no mundo dos mortos, só o faz porque justamente não há mais nada a ser dito, e escrever é uma aposta de que há sempre algo a ser dito; escrever é uma aposta de vida, de poder habitar os lugares, mesmo que sombrios.
Brendon Klopass Locks nasceu em Joinville, Santa Catarina, em 1993. Em 2023, publicou o romance Das lembranças que deixei em outra casa, pela Caravana, com tradução na Argentina. Além de escrever, também é professor de língua portuguesa e literatura em Curitiba, onde mora com a esposa e dois cachorros.
Título da obra: A vida entre musgos
Autor: Brendon Klopass Locks
Gênero da Obra: Poesia
Formato: 14x23 cm
ISBN: 978
Número de páginas: 48
Editora: Caravana
Capa e editoração eletrônica: Ramiro Magalhães





Não tem nenhuma avaliação