A poesia de Caio Quinderé nasce em íntima consonância com a música. Há ritmo, cadência e um léxico que revela familiaridade com o universo musical, conferindo aos poemas um lirismo fiel às origens clássicas do gênero, herdadas da própria lira. Outra presença marcante é a água, elemento recorrente na tessitura poética. A mulher, quando surge, é quase sempre líquida: ora turva e misteriosa, ora clara, emancipada e consciente de si. A memória também estrutura essa escrita. O presente poético só se realiza ancorado em um patrimônio ancestral, que dá sentido e densidade aos versos. Mesmo quando há dispersão temática, ela pode ser compreendida como jorro criativo de um autor que possui talento evidente e imaginação fértil. Caio domina o fio frasal e o enovela numa escrita em que o tempo — não corrosivo, mas revelador — atua como mensageiro das musas. Cronista sensível de sua geração, dialoga com a contemporaneidade sem romper com a tradição. Por isso, precisa ser lido.
Batista de Lima

Caio Quinderé é jornalista, escritor, arte-educador e gestor cultural. Sua trajetória articula criação artística, pensamento crítico e gestão pública, com atuação no teatro, audiovisual, educação e comunicação, guiada pelo compromisso com a formação humana e a democracia cultural. No teatro, escreveu e encenou espetáculos no Brasil e em Portugal, com obras premiadas. No cinema e na TV, assinou roteiros, direção e programas, com destaque internacional. Atua também como docente e pesquisador, colaborador da revista Discover Canadá. Autor de livros nas áreas de arte, comunicação e poesia.



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