Michel dos Reis e este seu livro de estreia como poeta se confundem na minha imaginação. Primeiro por minha recente amizade com o autor, não menos intensa que meu primeiro contato com o livro. Assim, autor e poesia se mostram igualmente dispostos à experiência que é viver a vida. Neste sentido, este livro é constituído de poemas que me parecem, lendo, parte de uma vida — mas qual vida? A vida do autor, certamente. Mas, talvez demasiado pessoanamente, cheguei a me perguntar: esta seria a vida que ele levou, ou a que ele sonhou? O que me levou ao segundo motivo da minha confusão: o caminho — curto, apenas três passos; mas longo, pois uma vida — é composto por muitas imagens, até cotidianas, mas que me fogem na leitura. Escapam-me, acredito, porque recorte esfumado da vida, que através de uma película vítrea, reflete minha própria vida — e novamente: a que vivi e vivo ou a que sonho viver?
Carlos Junior Gontijo Rosa





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