A guerra não tem rosto. Ela adormece no seio dos povos e eclode na velocidade de um respiro. Ela é o esgotamento do humano. Este livro é uma tentativa de dar voz a quem não tem nenhuma. Ancorados na perspectiva de populações civis oprimidas por conflitos ao redor do mundo, os poemas prescindem de nacionalidades ou etnias, já que o horror é comum a todas. Sem linearidade, cruzam o íntimo e o coletivo em personagens anônimos ou quase imperceptíveis, refletindo a falência da paisagem externa em nossas ruínas internas. O percurso inicia-se com a caixa de Pandora, partindo de uma atmosfera quase mágica para chegar, ao final, à víscera do horror. Crianças afogadas, pessoas igualadas a porcos e reduzidas às cinzas das árvores compõem a ambiência estética do livro — e a do mundo. Se tais imagens causarem repugnância, será o sinal de que ainda resta alguma humanidade no leitor. Este é um livro concebido para afligir e incomodar. Se a poesia existe para subverter a realidade e nossa própria consciência, o meu propósito é provocar um sentimento agudo de perda: da inocência, da acomodação emocional e das ilusões acerca de uma sociedade cujos valores foram colocados em xeque. Aceitar esse desfazimento é o convite que se faz ao leitor, para que percorra estas páginas pelo olhar das pessoas comuns oprimidas pela guerra.
Vânia Vidal vive no Rio de Janeiro e é carioca de coração. É historiadora, Internacionalista e profissional do texto, atuando no âmbito editorial há mais de vinte anos. Editou pela Editora Caravana três livros de poemas: Paragate, A Mulher de Mocassins e Narciso. Desamparo é seu quarto livro.
Título da obra: DESAMPARO
Autor(a): Vânia Vidal
Gênero da Obra: Poesia
Formato: 14x20
ISBN:
Número de páginas: 72
Editora: Caravana
Capa e editoração eletrônica: Ana Luiza Bilheiro Barata





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