Nesta narrativa, em que tudo se constitui por meio de traços e movimentos, em que denúncias e lutas se entrelaçam, o narrador desvela um universo imagético marcado por diálogos incessantes entre interlocutores. Observar-se-á, ao longo desta obra, que as personagens se empenham na construção de um desejo comum: o riso e a libido, dois elementos essenciais da experiência humana. Antropônimos como Transeunte, Basoudi “Aturdido”, Curioso, Grann Brijit “Vovó Brijit”, Britsoukou “DeRepente” que povoam a narrativa, projetam a filosofia de composição que se delineia no decorrer da trama. Este romance da autoria de Frantz Rousseau Déus inventa personagens conscientes do lugar na “totalidade-mundo”. São seres que se lançam na busca incessante para conhecer o mundo em suas “positividades” e “negatividades”, não apenas para repensar e reivindicar seu direito de “existir”, mas também para contribuir para a transformação dos novos territórios por onde transitam e passam a habitar. O riso e a libido, destacados já no subtítulo, configuram-se, portanto, como pontes de comunicação com a Humanidade e com o Outro.
Dieumettre Jean

Frantz Rousseau Déus, natural do Haiti, é pós-doutorando em saúde coletiva pela Unicamp. Doutor em sociologia pela Unicamp e mestre em ciências sociais pela Unifesp, possui bacharelado em sociologia, antropologia e ciência política pela Unicamp. É autor do livro Paradoxo haitiano: identidade negra e ‘branqueamento’ na contemporaneidade (2021).



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