Trazer para dentro de um romance a força de um poema requer, além de expressiva força de linguagem, buscar a raiz desta poesia no âmago dos próprios personagens. Pequenos gestos de um pai, marcado pelas cicatrizes das drogas e do tempo, poderiam mudar o mundo desde o seu centro, pelo simples desejo de trazer à vida os pequenos milagres do real? Este pai perdido transforma uma remota praia na África em seu centro, de onde um novo mundo possa irradiar-se. Um mundo adâmico, criado pelo simples gesto de ensinar alguns poucos meninos mutilados pela guerra a sonhar. A história da busca por este pai desaparecido no remoto continente, distante de seu mundo em Copacabana, faz com que o jovem personagem, que só conheceremos o nome próximo do final, num batismo involuntário, transforme seu périplo numa jornada de formação e ascese. É assim que Renato Camargo nos traz este belíssimo romance, em parte real e autobiográfico, em parte criado como fábula dentro do ato literário de sua imaginação. Uma sensível fábula, testamento do autor. Pois, como nos diz este pai, ao exercer seu dialeto do delírio, as almas seriam apenas memórias tocando o absoluto.
Renato Camargo nasceu em São Paulo, capital, em 1954. É escritor e poeta. Formado em arquitetura pela UFRJ, publicou Precisão selvagem (romance, 1994), e os livros Ofício do fogo (poesia, 1985) e Chacona e fuga (poesia, 2019). Participou de diversos cursos de arte, oficinas literárias e grupos de estudo de filosofia. Tem os seguintes livros inéditos: O sopro de Murano (romance, 2024) e Erro (poesia, 2022).
Título da obra: Chamada, de voz perdida
Autor: Renato Camargo
Gênero da Obra: romance
Formato: 14x20 cm
ISBN: 978
Número de páginas:
Editora: Caravana
Capa: Pedro Lobo





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