Há um momento na vida em que a poesia acaba nos capturando. Eis os momentos em que isso acontece: todos. E os versos que aqui seguem são de vários momentos vividos, todos capturados da memória se fazendo linguagem, resultados de uma colheita de anos, de quem se aceita capturada pela linguagem para os exercícios infindos de uma busca de si. A melodia que se insinua vem de palavras arquetípicas, palavras-mestras tais como sinais, caminhos, cheiros (de assados do forno, ou do próprio fogo, com mulheres ancestrais a sua volta), trançados, sombras, filhos crescendo… Parecem tristes, dissolutas? Não se enganem: é a linguagem escolhendo caminhos de dizer, até tudo se esclarecer no achado poético. Sua autora, Sonia Martins de Almeida Nogueira, que nomeio anfitriã de palavras, dedica a sua poesia ao acolhimento da afetividade, da irmandade com o humano, da familiaridade com a memória, dos laços com a ancestralidade e da esperança no porvir nos novos, auscultando a alma de um eu perdido na dissolução do espelho, que nada lhe diz, e apenas lhe apresenta a face cansada. Esta liturgia do eu associado a um corpo, que se vê e se pergunta sobre si mesma, é parte da espinha dorsal deste Do ofício de ser.
Sérgio Arruda de Moura
Sonia Martins de Almeida Nogueira é mestra e doutora em educação, pela UFRJ, e bacharela em teologia, pela PUC-RJ. Atualmente aposentada, é autora de textos acadêmicos publicados em livros e periódicos, no Brasil e no exterior. Nasceu em 29 de fevereiro de 1936, no Rio de Janeiro, onde vive. Sua infância e início da adolescência foram vividos na então Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores, o que muito contribuiu para a sua percepção do desafio do acolhimento do outro.
Título da obra: Do ofício de ser
Autora: Sonia Martins de Almeida Nogueira
Gênero da Obra: Poesia
Formato: 14x20 cm
ISBN: 978
Número de páginas: 96
Editora: Caravana
Capa e editoração eletrônica: Ramiro Magalhães





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