Há alguns anos, fui vítima de abuso sexual.
Não era criança.
Era adulto.
Homem.
E foi justamente isso que tornou tudo mais difícil de dizer. A ideia de que “isso não podia acontecer comigo” é o veneno que sustenta o silêncio. A masculinidade ensina-nos a ser impenetráveis, inalcançáveis, inteiros. Mas a verdade é que todos sangramos; e é nesse ponto de ruptura que o teatro começa. (DES)PROTEGIDOS nasce da insistência em existir num mundo que tenta tornar certos corpos ilegíveis. Escrito a partir do corpo (e contra tudo o que tentou silenciá-lo), o texto articula violência e desejo, masculinidade e fragilidade imposta, silêncio e sobrevivência. A experiência do abuso sexual entre homens atravessa a obra não apenas como confissão, mas como possibilidade de transgressão do silêncio que a masculinidade demanda. Aqui, a escrita recusa a ideia de corpos impenetráveis e inteiros, afirmando a desproteção como lugar de fala e a ternura como o início de uma cura coletiva.
David J. Amado escreve com o corpo, com a imagem e com a palavra. Artista jamaicano-estadunidense radicado entre Portugal e Brasil, sua prática artística cruza poesia, dança, teatro e cinema. Suas obras investigam a masculinidade, o desejo e a condição de risco que atravessa corpos negros queer em contexto migrante.
Título da obra: (DES)PROTEGIDOS
Autora: Andrea Parelho Fernandes
Gênero da Obra: Novela
Formato: 14x21 cm
ISBN: 978
Número de páginas:
Editora: Caravana
Capa e editoração eletrônica: Ayumi Shimamoto





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