O que teria a dizer uma gatinha com menos de um ano diagnosticada com uma leucemia fatal? Provavelmente nada, diriam os leitores, pelo mais óbvio dos motivos: os gatos não falam. É bem provável que ninguém tenha avisado a vira-latas Lili desta limitação dos bichanos, pois em Federica Felina, esta gatinha fala, e muito, sobre os mais diversos assuntos, de aulas de alongamento, da passagem do tempo, da descoberta dos afetos. Narrado em primeira pessoa, ou melhor, em primeira gata, este pequeno romance aborda a finitude sob o ponto de vista de um animal. Talvez por isso o livro não apresente a abordagem formal e quase sempre melancólica com que nós, os humanos, nos dedicamos ao tema. Lili sente que seu tempo está se esgotando, mas nada a impede de fazer novas amizades, de assistir a séries de televisão jogada no sofá ou, equilibrada nos ombros do seu dono, mergulhar no universo da literatura e se assombrar com Machado de Assis.

Sérgio Roveri nasceu na cidade de Jundiaí, São Paulo. É jornalista, dramaturgo e roteirista. Já teve mais de 20 peças teatrais encenadas e foi contemplado com o Prêmio Shell de Teatro pela peça Abre as asas sobre nós e Prêmio Funarte de Dramaturgia com a peça Andaime. Publicou três livros contendo 14 de suas peças. Alguns de seus textos já foram encenados em Portugal, Inglaterra e Colômbia. Escreveu as biografias do ator e diretor Gianfrancesco Guarnieri e da escritora Tatiana Belinky. Federica Felina é seu primeiro romance.



Não tem nenhuma avaliação