{"id":35967,"date":"2024-01-10T01:00:00","date_gmt":"2024-01-10T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/?p=35967"},"modified":"2026-02-09T17:01:40","modified_gmt":"2026-02-09T20:01:40","slug":"contos-que-se-contam-densidade-e-evaporacao-na-escrita-metalinguistica-de-bruno-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_uy\/contos-que-se-contam-densidade-e-evaporacao-na-escrita-metalinguistica-de-bruno-lima\/","title":{"rendered":"Contos que se contam: densidade e evapora\u00e7\u00e3o na escrita metalingu\u00edstica de Bruno Lima"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: justify;\">No poema \u201cA li\u00e7\u00e3o de poesia\u201d, Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto encena a \u201cluta branca sobre o papel\u201d (Melo Neto, 2020, p. 72) e manipula \u201cas vinte palavras recolhidas\/ nas \u00e1guas salgadas do poeta\u201d (Melo Neto, 2020, p. 73), a fim de, com o uso da metalinguagem, indicar o \u201cfuncionamento\u201d da \u201cm\u00e1quina\u201d de escritura\u00e7\u00e3o. \u201cDensidade\u201d e \u201cevapora\u00e7\u00e3o\u201d s\u00e3o palavras usadas por Melo Neto, e que recolho aqui para tratar do livro de contos A campa \u00e9 outro ber\u00e7o, de Bruno Lima (2022). <\/br>\n<\/br>\nSe para o dicion\u00e1rio \u201cdensidade\u201d \u00e9 uma propriedade f\u00edsica que relaciona a massa de um material ao volume que ele ocupa, Bruno Lima justap\u00f5e e sobrep\u00f5e uma profus\u00e3o de autores, leituras e conhecimentos da vida liter\u00e1ria e do trabalho com a literatura em seu conjunto de contos. Mas essa densidade do saber individual s\u00f3 se realiza no procedimento de \u201cevapora\u00e7\u00e3o\u201d desse saber, ou seja, no trabalho de tragar e traduzir leitura em escrita, quando aquilo que seria do \u201ciniciado\u201d \u00e9 apresentado (e presenteado) ao \u201cleigo\u201d. E \u00e9 isso que Lima entrega ao seu leitor. Esse, por sua vez, \u00e9 o tempo todo cobrado e instigado a ler mais, saber mais, para al\u00e9m daquilo que est\u00e1 presente (em presen\u00e7a) nos contos: Guimar\u00e3es Rosa, Jos\u00e9 Lins do Rego, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Iessi\u00eanin, Kafka, Rubem Fonseca, Marcelino Freire, S\u00e9rgio Sant\u2019Anna e, o mais presente, Machado de Assis, entre outros, transitam pelos 16 textos, irrigando a sabedoria do autor e a imagina\u00e7\u00e3o do leitor.<\/br>\n<\/br>\nImaginar ainda \u00e9 uma compet\u00eancia da literatura? Essa pergunta atravessa o livro. Seja nos exerc\u00edcios de formas e tipos de escrita \u2013 carta, not\u00edcia jornal\u00edstica, di\u00e1rio, testemunho, autofic\u00e7\u00e3o; seja no conte\u00fado e nas reflex\u00f5es dos narradores. O livro se insere no debate contempor\u00e2neo dos limites da fic\u00e7\u00e3o, pois ao longo das narrativas quem fala fricciona a realidade do ato de escrever. Desficcionalizar-se legitima mais ou menos a literatura? Outra pergunta que os contos em seu conjunto de temas e experimenta\u00e7\u00f5es apresentam. No fundo, o acontecimento liter\u00e1rio, por mais pr\u00f3ximo (e \u00e9 sempre uma aproxima\u00e7\u00e3o, jamais o factual), sempre incita a imagina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sou, mas, por empatia, me aproximo do acontecimento \u2013 realista ou esot\u00e9rico \u2013 vivido por outrem. Ser outro sem deixar de ser eu ainda \u00e9 a mat\u00e9ria-prima da arte \u2013 essa resist\u00eancia ao sistema massificador de subjetividades. \u00c9 o que parece propor Bruno Lima, sem reduzir o debate \u00e0 busca de essencialidades. N\u00e3o se trata de distinguir fic\u00e7\u00e3o de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, mas de friccionar essas inst\u00e2ncias porosas: sonhamos lendo autofic\u00e7\u00f5es, do mesmo modo que nos atemos ao ch\u00e3o do ideol\u00f3gico por meio de certas fic\u00e7\u00f5es. At\u00e9 porque autofic\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o apenas autorrefer\u00eancia. A defesa, repito, \u00e9 do direito \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, por isso o leitor \u00e9 o tempo todo levado a problematizar certezas e verdades.<\/br>\n<\/br>\nNesse sentido, A campa \u00e9 outro ber\u00e7o seria um livro para leitores iniciados. Quem l\u00ea e n\u00e3o conhece o que Bruno Lima leu e cita pode fruir as narrativas, as experimenta\u00e7\u00f5es formais para o g\u00eanero conto (talvez mais facilmente reconhec\u00edveis em \u201cEsquizo futurista\u201d ou em \u201cEra uma vez&#8230;\u201d), eis a compet\u00eancia da \u201cevapora\u00e7\u00e3o\u201d realizada, pois cada \u00e1tomo-refer\u00eancia liter\u00e1ria est\u00e1 muito bem gaseificado; no entanto, a frui\u00e7\u00e3o ganha muito mais poder reflexivo quando quem l\u00ea articula e problematiza conhecimentos e entende a \u201cdensidade\u201d posta em cada conto, relacionando-os, como a grande \u201cciranda esquizofr\u00eanica\u201d, resultante ao final do livro. Repito e corrijo, seria um livro para leitores iniciados, n\u00e3o fosse um livro de forma\u00e7\u00e3o de leitores. Quem l\u00ea Bruno Lima \u00e9 levado a, barthesianamente, \u201clevantar a cabe\u00e7a\u201d, articular, pesquisar, apurar, ruminar. Na orelha assinada por Laura Barbosa Campos somos informados de que Bruno Lima \u00e9 ensa\u00edsta e poeta, \u201cleitor contumaz\u201d. Essa inicia\u00e7\u00e3o do autor, doutor em Literatura Comparada, \u00e9 generosamente compartilhada com o leitor, afinal, \u201cum livro tem de ser a picareta para o mar gelado que h\u00e1 em n\u00f3s\u201d, escreveu Kafka, citado por Laura. Em A campa \u00e9 outro ber\u00e7o estamos em pleno mar. O \u201cgelado\u201d mar kafkiano se percebe nas elucubra\u00e7\u00f5es das vozes narrativas permanentemente questionadoras da fun\u00e7\u00e3o da literatura agora:<\/br>\n<\/br>\nEnquanto os outros usu\u00e1rios, desde pessoas comuns a escritores e intelectuais, escreviam opini\u00f5es e fomentavam discuss\u00f5es acerca dos males atuais, Bruno Lima limitava-se a si mesmo, uma banalidade que n\u00e3o deveria interessar a ningu\u00e9m (Lima, 2022, p. 23).<\/br>\n<\/br>\nA inscri\u00e7\u00e3o do nome do autor \u00e9 significativa e releva a sua inquieta\u00e7\u00e3o com o momento atual, tempos de identitarismos, pandemia, ascens\u00e3o do fascismo, em que a literatura \u00e9 (novamente e sempre) questionada sobre seus efeitos de representar e autorrepresentar singularidades, numa cultura (cada vez mais, vide o excesso de realidade e, ao mesmo tempo, dissemina\u00e7\u00e3o de fake news) massificante:<\/br>\n<\/br>\nEscrever \u00e9 hoje fazer-se o centro do processo de palavra, \u00e9 efetuar a escritura afetando-se a si pr\u00f3prio, \u00e9 fazer coincidir a a\u00e7\u00e3o e o afeto, \u00e9 deixar o escritor no interior da escritura, n\u00e3o a t\u00edtulo de sujeito psicol\u00f3gico [&#8230;], mas a t\u00edtulo de agente da a\u00e7\u00e3o (Barthes, 2012, p. 22).<\/br>\n<\/br>\nOs narradores de Bruno Lima est\u00e3o \u00e0 procura de certa sensibilidade perdida. Cismados e ensimesmados, esses narradores problematizam. Dito de outro modo,<\/br>\n<\/br>\n[&#8230;] os entendidos os doutores e curadores e editores e professores e cr\u00edticos e te\u00f3ricos e coisa e tal preferem esfor\u00e7o porque esse neg\u00f3cio de talento n\u00e3o tem nada a ver e sim a pr\u00e1tica e disciplina e esfor\u00e7o e labor e suor que fazem de qualquer fulano um escritor pronto na chapa pra ser criticado e eruditado [&#8230;] (Lima, 2022, p. 29).<\/br>\n<\/br>\nE a voz narrativa de \u201cEsquizo futurista\u201d completa: \u201c[&#8230;] \u00e9 prefer\u00edvel minicontear marcelinofreiramente no tu\u00edter assim todos leem no metr\u00f4 e no \u00f4nibus sempre a caminho de algum lugar j\u00e1 que a vida urge e o dinheiro \u00e9 escasso [&#8230;]\u201d (Lima, 2022, p. 32). <\/br>\n<\/br>\nEis o jogo entre individualidade (\u201cdensidade\u201d: \u201cComo odiava vestir o uniforme que me tornava igual a todas as outras crian\u00e7as\u201d (Lima, 2022, p. 10), lemos em \u201cCadeira de balan\u00e7o\u201d) e sociedade (\u201cevapora\u00e7\u00e3o\u201d: \u201cAutor, ainda que defunto, coloco-me ao lado de nomes importantes e desimportantes da literatura, n\u00e3o sou mais um an\u00f4nimo, mas sim um escritor\u201d (Lima, 2022, p. 17), lemos em \u201cReden\u00e7\u00e3o\u201d), que os narradores do livro encenam. E fazem isso mimetizando, copiando, representando as dic\u00e7\u00f5es de narradores can\u00f4nicos da nossa literatura brasileira.<\/br>\n<\/br>\nSe a literatura \u00e9, ainda, em alguma medida, a encena\u00e7\u00e3o por palavras, isto \u00e9, a inscri\u00e7\u00e3o de um eu no papel, como encenar o eu (esse outro escrito)? \u201c[&#8230;] a outridade deve adequar-se e autocensurar-se antes de qualquer coisa [&#8230;]\u201d (Lima, 2022, p. 31). Devorando o outro, deixando-se inseminar artificialmente pelo outro, filigranando o outro, atrav\u00e9s da revela\u00e7\u00e3o da teia palimpsesta constituinte de mim (\u201cautor-defunto\u201d, porque escrito). \u201cEu morri\u201d, come\u00e7a o narrador de \u201cMem\u00f3rias de um segundo eterno\u201d, derradeiro conto do livro. Como me escrever morto?<\/br>\n<\/br>\nDe fato, o livro come\u00e7a e finda com narradores memorialistas, tendo Paulo Hon\u00f3rio e Bento Santiago como refer\u00eancias, mas entre a abertura e o fechamento h\u00e1 o mar, lembra-nos Kafka, e as v\u00e1rias formas de atravess\u00e1-lo. Destaco, por exemplo, as hist\u00f3rias infantis adultizadas, com o deslocamento e a ressignifica\u00e7\u00e3o do termo \u201cprincesa\u201d, no conto \u201cEra uma vez&#8230;\u201d, narrativa que trata dos traumas decorrentes de um estupro. Como escrever tal experi\u00eancia sendo um autor-homem (essa redund\u00e2ncia!)? Capitu, Madalena e Diadorim s\u00e3o evocadas para questionar: \u201cPor que demorou tanto tempo at\u00e9 que a ABL admitisse Raquel de Queiroz em seu pante\u00e3o liter\u00e1rio?\u201d (Lima, 2022, p. 38), ou: \u201cMeu Deus, s\u00f3 agora me lembrei que a gente ainda morre assim. Mas \u2013 mas eu tamb\u00e9m?!\u201d (Lima, 2022, p. 41). Perguntas que repercutem em \u201cAdmir\u00e1vel mundo velho\u201d, conto que mais se aproxima (sempre esse exerc\u00edcio de aproxima\u00e7\u00e3o) do Brasil de hoje, ao evocar o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e a ascens\u00e3o do bolsonarismo.<\/br>\n<\/br>\nSe para Nicole Loraux, \u201ca trag\u00e9dia coloca as mo\u00e7as em cena para dela tir\u00e1-las e para entreg\u00e1-las, longe dos olhos, ao cutelo do degolador\u201d, pois \u201cfaz bem matar as mo\u00e7as em pensamento, em narra\u00e7\u00e3o\u201d (Loraux, 1988, p. 11), nas narrativas de Bruno Lima o efeito de real provoca o desconforto necess\u00e1rio \u00e0 reflex\u00e3o em torno das estruturas sociais que permitiram a morte violenta de Marielle Franco, para quem a \u201cvida acad\u00eamica corria concomitante \u00e0 milit\u00e2ncia\u201d (Lima, 2022, p. 39), semelhante \u00e0 personagem de \u201cEra uma vez&#8230;\u201d. Ambas mortas, por homens-autores (novamente essa redund\u00e2ncia!). \u201cE a maldi\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 prova alguma de que minha com-panheira seja infiel\u201d, escreve graciliano-machadianamente um dos narradores de Lima (2022, p. 43).<\/br>\n<\/br>\nNesse sentido, o conto sintomaticamente intitulado \u201cVerdade\u201d \u00e9 o que mais se aproxima do real: \u201cA realidade e o realismo n\u00e3o s\u00e3o uma besteira?\u201d (Lima, 2022, p. 67), pergunta a voz narrativa do conto \u201cCarta ao filho\u201d, pela via da descri\u00e7\u00e3o dos bastidores do gesto de escrever. Nessa narrativa, o tom jornal\u00edstico e amb\u00edguo instiga o leitor, aquele que \u201c[&#8230;] pode ser capaz de imaginar e se solidarizar com o que sentiu Proust, mas nada como, ele mesmo leitor, sentir o sabor das madeleines\u201d (Lima, 2022, p. 78). Novamente, \u201cimagina\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cempatia\u201d aparecem como quest\u00f5es da escrita. N\u00e3o foi isso o que torturou a autora de A hora da estrela? Ou seja, sabendo-se incapaz de registrar a vida da outra, a escritora Clarice Lispector n\u00e3o se instrumentalizou do fracasso inerente \u00e0 arte e escreveu Macab\u00e9a atrav\u00e9s do m\u00e9dium Rodrigo S.M.? Ou seria o contr\u00e1rio, a autora \u00e9 a m\u00e9dium de Rodrigo (homem-autor, logo, historicamente autorizado a narrar a vida de outrem)? \u201cA hist\u00f3ria \u2013 determino com falso livre-arb\u00edtrio \u2013 vai ter uns sete personagens e eu sou um dos mais importantes deles, \u00e9 claro. Eu, Rodrigo S. M.\u201d (Lispector, 1984, p. 18).<\/br>\n<\/br>\nN\u00e3o \u00e9 sobre esse \u201cfalso livre-arb\u00edtrio\u201d que Bruno Lima escreve, ao anotar em it\u00e1lico, como uma voz estrangeira: \u201cDesprezo a tentativa torpe de contar a minha hist\u00f3ria, ou melhor, de a roubar, pois agora essa narrativa n\u00e3o \u00e9 minha, mas dele\u201d (Lima, 2022, p. 76)? Ou quando agradece: \u201c[&#8230;] am\u00e9m \u00e0s icamiabas \u00e0s jana\u00ednas aos pretos velhos aos caboclos aos exus porque sou eu e sou outro sou caleidosc\u00f3pico\u201d (Lima, 2022, p. 31)? Cito Clarice porque sua presen\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 evidente no livro de Bruno, embora, como tento demonstrar, a maquinaria clariceana e seu pacto de leitura est\u00e9tica estejam.<\/br>\n<\/br>\nSendo um livro na clave da metalinguagem, A campa \u00e9 outro ber\u00e7o, frase, ali\u00e1s, tomada de Br\u00e1s Cubas e que abre \u201cPsicografia\u201d, faz um conto se desdobrar em outros, com personagens e cita\u00e7\u00f5es em circularidade, e que enreda enquanto entret\u00e9m o leitor. \u00c9 a luta entre cl\u00e1ssicos (\u201cdensidade\u201d) engenhosamente ativada e trabalhada (\u201cevapora\u00e7\u00e3o\u201d) por Bruno Lima, autor-cavalo (a servi\u00e7o de) da literatura:<\/br>\n<\/br>\n[&#8230;] me consolo escrevendo que todos os g\u00eanios de toda a humanidade de todos os tempos foram incompreendidos e se serei um desses ou melhor se sou um desses sei l\u00e1 deixa pra l\u00e1 \u00e9 melhor deixar mesmo pra l\u00e1 afinal de contas falar em genialidade poderia passar a ideia equivocada de que realmente considero isso mas nada disso sou algu\u00e9m tentando escrever qualquer coisa que valha a pena no correr do teclado [&#8230;] (Lima, 2022, p. 31).<\/br>\n<\/br>\nEsse autoabandono, essa d\u00favida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pot\u00eancia-de-si, resultado de certo lugar desprestigioso ocupado pela literatura em nossa sociedade, arranha a garganta das vozes narrativas do livro, muitas vezes: \u201cQueria ser diferente, fazer alguma coisa que me distinguisse dos demais [&#8230;]\u201d (Lima, 2022, p. 14); \u201cN\u00e3o \u00e9 a inveja que me consome, mas a trai\u00e7\u00e3o\u201d (Lima, 2022, p. 21); \u201cSou eu que crio. E sempre em primeira pessoa. Eu falo; eu conto; eu me exponho; eu trabalho; eu historio. Eu fa\u00e7o quest\u00e3o de usar todos os pronomes que me digam respeito aqui, abundantemente. Eu sou protagonista, jamais coadjuvante\u201d (Lima, 2022, p. 27); \u201cJamais realizei algo not\u00e1vel e nada de bom nunca me visitou\u201d (Lima, 2022, p. 58); \u201cSou r\u00e9u confesso, por isso escrevo, desconfiado de que n\u00e3o serei lido, minha t\u00f4nica\u201d (Lima, 2022, p. 68).<\/br>\n<\/br>\nClaro est\u00e1 que os narradores (as vozes narrativas) de Bruno Lima exigem bastante do leitor. \u201cA diferen\u00e7a entre mim e as plantas \u00e9 a capacidade de pensar, muito embora n\u00e3o saibam que a possuo. Todos ignoram os pensamentos que correm aqui\u201d (Lima, 2022, p. 45). \u00c9 contra essa ignor\u00e2ncia que se escreve. Por exemplo, o narrador em estado vegetativo de \u201cN\u00e3o\u201d compartilha seus pensamentos com um improv\u00e1vel interlocutor (no livro, transmudado em leitor). Ele ficou 35 anos em coma. Marielle (essa fissura do real no liter\u00e1rio, porque agora personagem) retorna aqui como enfermeira: \u201cEla vangloriava-se de ter local de fala, mas n\u00e3o atinei exatamente o que seria aquilo. S\u00f3 se pode falar em determinado lugar?\u201d (Lima, 2022, p. 48), estranha o narrador-personagem, em choque com a nova realidade. Mas, al\u00e9m de Marielle, havia Maria das Dores, e, durante a pandemia de Covid-19, restara apenas Jair, um enfermeiro fascista que dizia que, \u201cgra\u00e7as ao presidente, alcunhado de mito, o pa\u00eds n\u00e3o se vergaria aos chineses, vermelhos propensos a destruir o mundo\u201d (Lima, 2022, p. 53). Inconformado, embora friamente, o narrador-personagem, como num passo de m\u00e1gica, levanta-se de sua cama e se volta contra o enfermeiro \u201cdespolitizado e ign\u00f3bil\u201d:<\/br>\n<\/br>\nTalvez o sono por tanto tempo tenha me dado tamanha disposi\u00e7\u00e3o, havia muita energia em mim. Matei Jair com minhas pr\u00f3prias m\u00e3os, ainda sem entender o que acontecera com o pa\u00eds. Sem compreender o que sucedera comigo. Um homem sem hist\u00f3ria \u00e9 nada, e eu n\u00e3o possu\u00eda a minha (Lima, 2022, p. 54-55).<\/br>\n<\/br>\nJ\u00e1 no conto seguinte, \u201cA com\u00e9dia desumana\u201d, outro narrador nos diz: \u201cContentava-me com a vida que vivia por empr\u00e9stimo dos personagens dos livros que lia. A arte imita a vida \u00e9 uma grande fal\u00e1cia. Livros s\u00e3o interessantes, ricos, complexos, eternos. Se eu destru\u00edsse meu exemplar de Dom Quixote a obra permaneceria\u201d (Lima, 2022, p. 58).<\/br>\n<\/br>\nVolto ao poema de Jo\u00e3o Cabral. L\u00e1, como nos contos de Bruno Lima, o leitor lida com a desautomatiza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio olhar, preso naquilo tudo que sup\u00f5e saber, ler, pensar. A rotina e o protocolo dessas leituras matam o desejo, logo, matam a literatura, como sugere o conto \u201cMoto-cont\u00ednuo\u201d. Cabralinamente, Bruno Lima convoca-nos ao \u201csusto das coisas jamais pousadas \/ por\u00e9m im\u00f3veis \u2014 naturezas vivas\u201d (Melo Neto, 2020, p. 73), t\u00e3o \u00f3bvias que s\u00f3 a linguagem de um rigoroso escritor-leitor pode tragar (condensar) e traduzir (evaporar). \u201cQuincasborbeei\u201d (Lima, 2022, p. 66-67) \u00e9 a melhor conjuga\u00e7\u00e3o da pessoa que fala por tr\u00e1s das vozes que (se) escrevem nos contos de Bruno Lima. Talvez por isso, tensionando inclusive a bandeira de Melo Neto, o autor de A campa \u00e9 outro ber\u00e7o afirme que \u201ca poesia \u00e9 pra poetas que n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas de fazer versos\u201d (Melo Neto, 2020, p. 31).<\/br>\n<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"717\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/leonardo-davino.jpg?resize=720%2C717&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-35968 size-full\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/leonardo-davino.jpg?w=720&amp;ssl=1 720w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/leonardo-davino.jpg?resize=402%2C400&amp;ssl=1 402w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/leonardo-davino.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/leonardo-davino.jpg?resize=510%2C508&amp;ssl=1 510w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/leonardo-davino.jpg?resize=100%2C100&amp;ssl=1 100w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/leonardo-davino.jpg?resize=64%2C64&amp;ssl=1 64w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>Leonardo Davino de Oliveira \u00e9 doutor em Literatura Comparada e professor associado de Literatura Brasileira na UERJ. 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A quest\u00e3o era: Como nasce um romance? Esta \u00e9 uma pergunta que nos leva aos tantos mist\u00e9rios que a vida engloba. Com o livro pronto, o pr\u00f3prio autor j\u00e1 n\u00e3o se lembra das pequenas inspira\u00e7\u00f5es que o envolveram para que criasse cada momento da hist\u00f3ria. Como escrevo romances policiais, come\u00e7o criando uma estrutura de come\u00e7o, meio e fim ou crime, investiga\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o. Pego um fato real, que seleciono entre as tantas trag\u00e9dias que s\u00e3o noticiadas pela m\u00eddia, e parto para a fic\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, qualquer semelhan\u00e7a com a realidade \u00e9 mera coincid\u00eancia. Quando monto a estrutura, o que preciso saber \u00e9 o que o leitor vai perguntar durante toda a leitura: Quem \u00e9 o assassino(a)? Eu, como autora, tenho de saber quem matou para ir levando a hist\u00f3ria nessa dire\u00e7\u00e3o.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_uy\/contos-que-se-contam-densidade-e-evaporacao-na-escrita-metalinguistica-de-bruno-lima\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Contos que se contam: densidade e evapora\u00e7\u00e3o na escrita metalingu\u00edstica de Bruno Lima - Caravana Grupo Editorial\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Na \u00faltima FLIP (novembro de 2023) participei da mesa que fez bastante sucesso. A quest\u00e3o era: Como nasce um romance? Esta \u00e9 uma pergunta que nos leva aos tantos mist\u00e9rios que a vida engloba. 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