{"id":47887,"date":"2024-08-14T01:10:00","date_gmt":"2024-08-14T04:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/?p=47887"},"modified":"2026-02-09T17:01:40","modified_gmt":"2026-02-09T20:01:40","slug":"as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/","title":{"rendered":"As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Quando uma p\u00e1gina soa aut\u00eantica, isso n\u00e3o se deve \u00e0 vida, mas ao talento do autor. A literatura n\u00e3o copia a vida, ela a inventa, ela a provoca, ela a ultrapassa [\u2026] (Eric-Emmanuel Schmitt, 2002, p.21).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa ficcional prende o leitor, e por v\u00e1rios motivos. Sobretudo quando ati\u00e7a, de modo especial, os elementos constitutivos de um livro, elementos comuns e indispens\u00e1veis \u00e0 sua constru\u00e7\u00e3o: personagens, narrador, enredo, di\u00e1logos, tempo e espa\u00e7o. De um modo geral, na narrativa simples, esses elementos n\u00e3o s\u00e3o nada extraordin\u00e1rios, quando apenas cumprem a fun\u00e7\u00e3o de relatar, detalhar, contextualizar.<\/br>\n<\/br>\nMas na boa Literatura, em poesia ou em prosa, esses elementos tornam singular, particular, um modo de trabalhar a linguagem de modo a afastar os objetos do comum, as a\u00e7\u00f5es, do corriqueiro, trazendo estranheza \u00e0 pr\u00f3pria linguagem liter\u00e1ria. Essa estranheza constitui a singulariza\u00e7\u00e3o do discurso de cada escritor, em determinado texto, despertando uma particularidade da escrita de cria\u00e7\u00e3o batizada pelo velho conceito russo de \u201costranenie\u201d criado pelo te\u00f3rico russo Viktor Chkl\u00f3vski (1893-1984), em texto de 1917 que ficou famoso, \u201cA arte como procedimento\u201d.1 Nele, o pensador, considerando n\u00e3o s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o criativa, mas seu efeito no receptor, leitor ou espectador. Ressalta um importante princ\u00edpio pertinente \u00e0 natureza da aprecia\u00e7\u00e3o da obra de arte: o \u201cato de percep\u00e7\u00e3o em arte \u00e9 um fim em si e deve ser prolongado; a arte \u00e9 um meio de experimentar o devir do objeto, o que j\u00e1 \u00e9 \u2018passado\u2019 n\u00e3o importa para a arte\u201d (1978, p.45).<\/br>\n<\/br>\nO procedimento, mencionado no t\u00edtulo do trabalho, \u00e9 aquele que faz com que o que est\u00e1 dito traga a surpresa do olhar inaugural sobre o que se v\u00ea, ainda que o que se v\u00ea seja algo conhecido, como um amanhecer, por exemplo. O estranhamento (\u201costranenie\u201d) de que fala Chklovski \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o, produzida no leitor, de que aquilo que l\u00ea o toca como se fosse uma descoberta nova. Se o texto provoca este efeito de tornar estranho (novo) o que \u00e9 familiar, ent\u00e3o o escritor conseguiu criar uma \u2018singulariza\u00e7\u00e3o\u2019: renovado, o objeto foi singularizado, os elementos da composi\u00e7\u00e3o do texto conseguiram abalar a natureza do que foi dito, tornando tudo inaugural, seja enredo, personagens ou ambiente. Se aconteceu o processo, o leitor percebe que lidou com um obscurecimento da forma e lidou com a \u201cdificuldade e [a] dura\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o\u201d (Chklovski, 1978, p. 45).<\/br>\n<\/br>\n<h2>Trilogia curta da vida breve<\/h2><\/br>\n<\/br>\n<p style=\"text-align: right;\">Vida louca vida, vida breve <\/br>J\u00e1 que eu n\u00e3o posso te levar Quero que voc\u00ea me leve<\/br>\nVida louca vida, vida imensa Ningu\u00e9m vai nos perdoar&#8230; (Cazuza)<\/p><\/br>\n<\/br>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse modo especial de organizar um mundo \u00e9 tra\u00e7o, n\u00e3o de um escritor, mas de uma determinada escritura que ele produz. Isso que a personagem da \u201ceditora\u201d, no filme Best-seller \u2013 A \u00faltima turn\u00ea2, pontifica como sendo uma forma de identifica\u00e7\u00e3o da obra liter\u00e1ria: sua \u201cunidade de efeito\u201d. Isto \u00e9, o modo \u00fanico, especial, com que cada livro investe no leitor. Assegurar esse modo, por recursos adequados de linguagem, e desdobr\u00e1-los para explorar com sabedoria e engenhosidade a estranheza da linguagem liter\u00e1ria s\u00e3o gestos que definem a compet\u00eancia do um escritor em uma obra.<\/br>\n<\/br>\nAtingida por essa unidade de efeito, fui tomada de um estado diferente de paix\u00e3o, ao ler a Trilogia curta da vida breve (BH: Caravana, 2023), do baiano Adroaldo Almeida.<\/br>\n<\/br>\nO efeito que me tomou e o ritmo ora r\u00e1pido ora lento em que fiz a leitura me lembraram o tal texto \u2013 t\u00e3o antigo quanto atual \u2013 do velho Chklovski. Estava t\u00e3o fascinada ao acabar as leituras da Trilogia, que quis, como leitora, retribuir \u00e0 emo\u00e7\u00e3o que me envolvera, debru\u00e7ando-me sobre a habilidade do escritor \u2013 que acabara de ler \u2013, de conduzir, com tanta seguran\u00e7a, um tal emaranhado de hist\u00f3rias, ao tempo em que fazia refletir sobre como explorava a riqueza do uso da linguagem. Meu imagin\u00e1rio fora habitado pelo imagin\u00e1rio do autor.<\/br>\n<\/br>\nAo buscar um modus operandi da narra\u00e7\u00e3o neste conjunto complexo, obriguei-me a reler passagens e, ati\u00e7ada pela curiosidade de penetrar o mist\u00e9rio desta conduta escritural complexa sobre casos apaixonados e comportamentos exaltados, buscar as chaves e as pistas que me permitissem organizar uma leitura em t\u00f3picos, para que detalhes importantes n\u00e3o escapassem. Para isso suspendi o efeito da emo\u00e7\u00e3o e abri os olhos para as finas estruturas que sustentam essa arquitetura barroca, de colunas retorcidas, perscrutando os tra\u00e7os assemelhados nas tr\u00eas estruturas. Cada um dos romances que constituem a trilogia publicada em um s\u00f3 livro, a seu modo, vai afetar o leitor, fazendo-o apaixonar-se por seus personagens, passando a respirar no ritmo da trama, atordoando-se com as aventuras em que se v\u00ea enredado.<\/br>\n<\/br>\nPara efeito de m\u00e9todo de abordagem, ressalto tr\u00eas tra\u00e7os importantes na constru\u00e7\u00e3o das obras, para me servirem de guia, tra\u00e7os que se foram ressaltando \u00e0 medida que adiantava a leitura. A intensidade sem\u00e2ntica na escolha de t\u00edtulos e subt\u00edtulos me chamou logo aten\u00e7\u00e3o: podiam ser a famosa \u201cpiscadela c\u00famplice\u201d de que fala Proust, para sutil alerta ao leitor; tamb\u00e9m o controle da temporalidade dos acontecimentos, para que, ao adentrar as hist\u00f3rias os guias datados de leitura permitissem ir e vir, e restabelecer uma ordem l\u00f3gica abandonada ao tra\u00e7ar o fluxo da escrita; ao lado desses tra\u00e7os, as sutis revela\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias de um escritor-leitor, ecl\u00e9tico e apaixonado, por meio de intertextualidades expl\u00edcitas a enriquecerem a massa de reflex\u00f5es filos\u00f3ficas sobre vida e morte, uma esp\u00e9cie de pano de fundo aos acontecimentos, como na \u00f3pera do De Falla.<\/br>\n<\/br>\nNa quarta capa do livro3, anuncia-se que ele resulta da \u201creuni\u00e3o, de forma encurtada, dos tr\u00eas primeiros romances do escritor: O labirinto dos b\u00e1rbaros (2016), A \u00faltima flor da terra (2019) e Em busca de Julio Pakard (2021)\u201d. No caso, a explica\u00e7\u00e3o da contracapa apenas fala da trilogia sem aludir ao modo como as obras estariam relacionadas entre si, se por meio de personagens, do enredo, da tem\u00e1tica ou da ambienta\u00e7\u00e3o. Sabemos, apenas, que cada obra pode ser lida de forma independente, uma reuni\u00e3o de tr\u00eas primeiros romances, referindo a uma forma mais econ\u00f4mica de revisar os tr\u00eas, para podar, esmerilhar, lapidar e selecionar e reunir para publicar num s\u00f3 volume. Imagina-se o sentido desta reuni\u00e3o, al\u00e9m do encurtamento, visto na parte inicial do t\u00edtulo Trilogia curta, a ideia da suspens\u00e3o das obras anteriores, que assim tiveram sua vida aut\u00f4noma abreviada, o leitor vai em busca do sentido menos \u00f3bvio, para da vida breve: quem sabe \u00e9 a\u00ed que mora a significa\u00e7\u00e3o mais profunda de cada uma das obras, aquilo que permitiu reuni-las em uma trilogia? O termo final do t\u00edtulo com certeza produz um efeito de sugest\u00e3o maior.<\/br>\n<\/br>\nSabendo-se, pelas intertextualidades que os textos exibem, tratar-se de um escritor apreciador da arte, da literatura, da m\u00fasica, as especula\u00e7\u00f5es passam a ser v\u00e1lidas.<\/br>\n<\/br>\nNa \u00f3pera de De Falla, que tem este nome, La vida breve, a hist\u00f3ria da trai\u00e7\u00e3o amorosa de Paco para com Salud, que sucumbe \u00e0 dor ao ver os festejos do casamento de seu amado com outra mulher mais rica, serve, na \u00f3pera, para ilustrar a tese, apresentada desde o in\u00edcio no libreto, de que num mundo de trabalhadores que ganham a vida com suor (no caso, s\u00e3o ferreiros) triste \u00e9 o destino dos que sofrem, dos que \u201cs\u00e3o pregos, e n\u00e3o martelos\u201d: Salud expressa sua dor dizendo que a vida do pobre, que vive sofrendo, tem que ser breve. Na trilogia de Adroaldo Almeida, as tr\u00eas hist\u00f3rias, cada uma a seu modo, trazem manifesta\u00e7\u00f5es diversas dessa poss\u00edvel liga\u00e7\u00e3o entre amor idealizado, amor n\u00e3o correspondido, insustent\u00e1vel ou interrompido por trai\u00e7\u00e3o, abandono ou outra impossibilidade fatal.<\/br>\n<\/br>\n<h2>O labirinto dos b\u00e1rbaros<\/h2><\/br>\n<\/br>\nO que se percebe desde a leitura do Sum\u00e1rio? Os tr\u00eas livros trazem t\u00edtulo e, entre par\u00eanteses, subt\u00edtulos que indicam o fulcro tem\u00e1tico de cada um, em paralelismo.<\/br>\n<\/br>\nO primeiro, O labirinto dos b\u00e1rbaros, tem como subt\u00edtulo \u201csobre o ci\u00fame e outros bastardos triunfantes\u201d. Se labirinto leva a caminhos com sa\u00eddas dif\u00edceis e falseadas, com poucas possibilidades de se ser chegar bem onde se quer; labirinto dos b\u00e1rbaros parece espelhar e tornar complexa a express\u00e3o: indicar que al\u00e9m da dificuldade natural da cegueira de um labirinto, deve haver alguma crueldade envolvida, pois ou s\u00e3o os b\u00e1rbaros no labirinto ou o labirinto \u00e9 algo particular deles.<\/br>\n<\/br>\nMas a que tipo de b\u00e1rbaro refere, s\u00f3 quando se come\u00e7a a leitura vai-se tendo no\u00e7\u00e3o de que os conflitos est\u00e3o no campo amoroso, como j\u00e1 indicava o termo que aponta, no subt\u00edtulo, para o sentimento envolvido, o ci\u00fame. O deslocamento sem\u00e2ntico dos b\u00e1rbaros do t\u00edtulo para os bastardos triunfantes do subt\u00edtulo, j\u00e1 talvez avise ao leitor que \u00e9 melhor n\u00e3o confiar nas palavras deste autor, porque elas podem ser perigosas, podem borrar as pistas que pare\u00e7am certas. Como a ironia \u00e9 um tra\u00e7o facilmente encontrado em passagens, descri\u00e7\u00f5es e coment\u00e1rios do narrador (como teremos ocasi\u00e3o de ver), a express\u00e3o \u201cbastardos triunfantes\u201d pode trazer uma alus\u00e3o ir\u00f4nica e um tanto sat\u00edrica aos \u201cbastardos ingl\u00f3rios\u201d de Quentin Tarantino, criado poucos anos antes do lan\u00e7amento do livro (o filme saiu em 2009, o livro, em 2016).<\/br>\n<\/br>\nS\u00f3 que, aqui, s\u00e3o bastardos triunfantes! Na sequ\u00eancia dos nove cap\u00edtulos vai-se entrando em contato com uma hist\u00f3ria constru\u00edda em ritornelos paralelos. Os crimes da abertura, bem como os personagens envolvidos, apresentam-se aos poucos e aos blocos, \u00e0 medida que j\u00e1 se tem dados suficientes para compreend\u00ea-los. Logo no segundo par\u00e1grafo do cap\u00edtulo 1:<\/br>\n<\/br>\nMansa e silenciosa, amanhecia cinzenta a primeira manh\u00e3 de janeiro. Lerda e triste como o despertar do m\u00e9dico, \u00e0s pressas e assustado com o alarido de gente na sua porta. Levaram-no ao Hospital antes de tomar caf\u00e9. Nunca vira aquilo em mais de 40 anos de profiss\u00e3o naquele lugar: o necrot\u00e9rio tomado por tr\u00eas corpos. Um velho amigo, a neta deste e um rapaz que n\u00e3o conhecia jaziam e inertes e sem vidas. S\u00f3 \u00e0 noite, quando conseguiu retornar para casa, entenderia a rela\u00e7\u00e3o que unia aquela trag\u00e9dia.<\/br>\n<\/br>\nEra o raiar de 2001. Um dia para sempre e nunca mais.<\/br>\n<\/br>\nEis que, desde o in\u00edcio, percebe o leitor que ter\u00e1 que trabalhar a leitura paciente, a despeito da curiosidade, pois o subcap\u00edtulo 2, que sucede a esta \u00faltima reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia deste dia e deste acontecimento, em final de 2000, remete, num primeiro salto, para quase vinte anos depois. A narrativa n\u00e3o ser\u00e1 de rememora\u00e7\u00e3o apenas, mas haver\u00e1 um presente em que a hist\u00f3ria se desdobra, se explica, e traduz circunst\u00e2ncias que envolvem personagens ditas por um narrador que abandona a terceira pessoa inicial, para assumir um eu intenso, sujeito de uma juventude desenfreada no interior \u2013\u201cN\u00f3s \u00e9ramos anarquistas e libert\u00e1rios sem saber exatamente do que se tratava. A paix\u00e3o da noite vivia em nossas vidas em dulc\u00edssima libertinagem [&#8230;]\u201d (p.28). Nesta cidade, para a qual, depois de se afastar por anos em nova vida em Salvador, ansiava voltar, finda a maior aventura de sua vida apaixonada:<\/br>\n<\/br>\nPedro Boaventura e Camila Cordeiro casaram-se 1983. Ela tinha 18 anos; ele 21 e nenhum dinheiro. Conheceram-se um ano antes e se separaram 10 anos depois. Foi uma rela\u00e7\u00e3o longa, mas jamais se conheceram. Posso afirmar isso com seguran\u00e7a, pois, como voc\u00ea sabe, Pedro sou eu. Salvador na Bahia era onde viv\u00edamos, mas todo meu esp\u00edrito havia ficado acerca de 500 km dali, em Itapuy e suas cercanias (p.33).<\/br>\n<\/br>\nPortanto, passada a crise da dor que o abandono e a separa\u00e7\u00e3o provocaram, podia voltar:<\/br>\n<\/br>\n[&#8230;] anseio com a subida da serra do Adeus, o caminho do Macuco, os mergulhos no rio Col\u00f4nia e a vida sem fim, como uma fiel promessa [&#8230;] enquanto o tempo passa, escorrem em mim, como uma l\u00e1grima recorrente, a d\u00favida da derrota e do fracasso e a certeza necess\u00e1ria de recome\u00e7ar, reinventar, retomar, reconquistar a vida que se deseja (p.12).<\/br>\n<\/br>\nNesta cidade, que se anuncia no Pr\u00f3logo, como o lugar imagin\u00e1rio de uma promessa, est\u00e1 o labirinto, os b\u00e1rbaros em sua tresloucada juventude libert\u00e1ria, os bastardos. Mas est\u00e1, sobretudo, esse narrador-personagem eterno sonhador:<\/br>\n<\/br>\nJ\u00e1 te disseram que a vida n\u00e3o \u00e9 um projeto? At\u00e9 os vinte anos voc\u00ea pensa que tudo vai dar certo. Dos vinte aos quarenta, acha que alguma coisa vai dar certo. Por\u00e9m, depois dos quarenta, \u00e9 quase certo que nada vai dar certo. Mas, \u00e9 necess\u00e1rio acreditar no sossego do tempo, de que as coisas v\u00e3o se acomodar com serenidade. \u00c9 tristemente necess\u00e1rio acreditar (p.22).<\/br>\n<\/br>\nNas idas e vindas do desconcerto da vida de Pedro com Camila havia outras figuras que comp\u00f5em o quadro rumo \u00e0 trag\u00e9dia final. Guadalupe foi uma importante mulher nessa miss\u00e3o. \u201cPois \u00e9, o mundo girou e eu rodei. Rodei como uma biruta e retornei ao ponto de partida. E Guadalupe estava l\u00e1\u201d (p.44). Mas as voltas desta biruta e, com elas, as voltas das vidas dos habitantes da pequena cidade s\u00e3o descritas com precis\u00e3o e economia, sempre entremeadas pelo coment\u00e1rio sobre a vida nacional, a pol\u00edtica e o futebol e sobre as coisas da vida em geral.<\/br>\n<\/br>\nCop\u00e9rnico, Darwin e Marx, quando os conheci ainda um adolescente inseguro, me reduziram a p\u00f3. A terra n\u00e3o \u00e9 o centro do universo, o homem n\u00e3o foi criado por Deus e n\u00e3o existe propriedade privada. Como e por que me disseram estas coisas t\u00e3o terr\u00edveis? Platitudes para mim e para voc\u00ea, depois de tudo que lemos, mas, a despeito da obviedade, ainda hoje n\u00e3o me recuperei totalmente. E, por fim, veio Freud afirmar que agimos mais pelo inconsciente. O mundo era prec\u00e1rio e fr\u00e1gil, descobri (p.22).<\/br>\n<\/br>\nAs coisas e as mulheres iam e vinham na vida de Pedro, assim como os quadros que pintou, na antiga vida de pintor ao lado de Camila, e que abandonara em Salvador, voltaram para as m\u00e3os dele, por meio do amante da mulher que o abandonara, o professor de Literatura Inglesa, que depois de tantas, foi trabalha nos correios. Afinal seus quadros valiam muito, a filha deste homem, curadora de arte, queria adquirir o lote a bom pre\u00e7o. Ele, Pedro, voltando \u00e0 esb\u00f3rnia: \u201cResta dizer, s\u00f3 pra consta que logo voltei \u00e0 loucura dos dias de juventude, do sexo como reden\u00e7\u00e3o e fuga, \u00e1lcool e drogas\u201d (p.55). Esbarrava sempre em Guadelupe de quem nunca se afastara entre transas, mulheres, farras e bebedeiras, al\u00e9m de algumas mortes acidentais.<\/br>\n<\/br>\nPediram que eu entrasse, Guadalupe estava nos fundos.[&#8230;] Abriu o mesmo sorriso da nossa juventude e caminhou na minha dire\u00e7\u00e3o[&#8230;]Eu conhecia bem o lugar, durante a adolesc\u00eancia era minha outra casa. Agora, adulto, retorna com as mesmas inten\u00e7\u00f5es. Havia cansado da vida mundana e profana que levava, precisava de um consolo e um repouso e, em verdade, nunca deixei de am\u00e1-la. Para sempre ela foi minha namorada, mesmo quando n\u00e3o estivemos juntos. Hoje entendo bem isso, mas agora j\u00e1 n\u00e3o importa mais (p.63-4).<\/br>\n<\/br>\nTudo se dava no c\u00edrculo das amizades e desaven\u00e7as das fam\u00edlias mais antigas e inimigas as quais o personagem frequentava, os Correia (duas irm\u00e3s Maria Elisa, a mais velha, morena, Maria Elena, a segunda, branca, mais reservada, filhas de primeiro casamento; e Maria Lu\u00edza, filha de D. Nen\u00e9m, com o mesmo dr. Clemente) e os Alvarez (Dr. Jo\u00e3o, Advogado, o amigo Tonh\u00e3o e Guadalupe), mas as intricadas rela\u00e7\u00f5es que os uniam e ou separavam formam o enredo destes nove cap\u00edtulos e suas subpartes. A um novo morador que pedisse refer\u00eancias da cidade, poderiam dizer: \u201cChegando por l\u00e1, procure o advogado Jo\u00e3o Alvarez e o fazendeiro Clemente Correia. Cuidado. N\u00e3o entre nas farras do doutor, nem mexa com as filhas do coronel\u201d (p.36). Um mundo reduzido, mas que d\u00e1 margem a ser um microcosmo das rela\u00e7\u00f5es humanas. \u201cA vida dribla a gente com a ginga de um craque de futebol. Engana, finge, oferece, d\u00e1 e toma\u201d (p.90).<\/br>\n<\/br>\nNo vel\u00f3rio das tr\u00eas mortes que abrem o livro, nos cap\u00edtulos em que se narram os detalhes das hist\u00f3rias de desejos e sonhos ocultos e ocultados, sabe-se, por exemplo, que o velho Clemente, o fazendeiro que morre junto com a neta e seu pretendente, que j\u00e1 tivera duas esposas e muitas amantes, s\u00f3 tivera realmente um grande amor: D. Soledad, av\u00f3 de Guadelupe. A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 bel\u00edssima:<\/br>\n<\/br>\n[&#8230;] mansa e silenciosa atravessou a sala apinhada de curiosos, sem cumprimentar ningu\u00e9m, apoiada na neta Guadalupe, aproximou-se do caix\u00e3o, acariciou o rosto do falecido e disse baixinho, quase sussurrando: \u201cDepois de 65 anos eu retorno a esta sala e encontro o mesmo menino, agora menos assustado, para dizer: eu te amei a vida inteira e espero, em breve, viver toda a eternidade ao seu lado. Calma, eu j\u00e1 estou indo&#8221;. Voltou para casa, trancou-se no quarto e, sem dizer mais uma palavra, morreu 10 dias depois (p.78).<\/br>\n<\/br>\nAcontece que mesmo Clemente a amante e uma professora (Benta) com quem teve um filho, que nunca reconheceu, na \u00e9poca conhecido, de nome Bento, e pelo apelido Apocalipse. Pois n\u00e3o \u00e9 que a neta de Clemente se apaixona pelo rapaz? Ela ouve do av\u00f4 a frase in\u00f3cua, pois sem explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel: \u201cS\u00f3 vou falar uma vez: eu a pro\u00edbo de qualquer rela\u00e7\u00e3o com esse rapaz\u201d(p.90). Explica o narrador, para n\u00e3o haver d\u00favida: \u201cApocalipse era filho adulterino de Clemente com a professora Benta, portanto, tio de Maria Antonia\u201d [que era neta de Clemente](p.93). [&#8230;] Depois daquele dia, todos da fam\u00edlia que conheciam os fatos come\u00e7aram a trabalhar para impedir o relacionamento\u201d&#8230;<\/br>\n<\/br>\nMas nada adiantou. No cap\u00edtulo oitavo \u00e9 contada em detalhes a hist\u00f3ria de Apocalipse e dos preparativos do r\u00e9veillon do ano 2000, em que se resolve modo t\u00e3o tr\u00e1gico mais um romance sem futuro naquele mundo circular. Se o mundo em Itapuy rodava em torno dessas pessoas, tamb\u00e9m foi se desfazendo com o passar dos anos, mas n\u00e3o sem deixar um gosto amargo de coisas mal resolvidas, de hist\u00f3rias mal contadas, de pessoas entristecidas.<\/br>\n<\/br>\n[Do Ep\u00edlogo)<\/br>\n<\/br>\nN\u00e3o h\u00e1 uma s\u00f3 noite, tendo como travesseiro as lembran\u00e7as daquela \u00e9poca, que n\u00e3o me lastime por aquelas pessoas. Err\u00e1ticas, querendo acertar; bonitas, vivendo a feiura; sendo o que n\u00e3o s\u00e3o; aceitando que n\u00e3o desejam; buscando o que n\u00e3o encontram. A vida inteira dando voltas num c\u00edrculo eterno; uma fila para o nada; seres coisas e bichos encurralados no inexplic\u00e1vel absoluto: esse angustiante tempo que nos \u00e9 oferecido sobre a terra e o inestim\u00e1vel tributo perpetuamente exigido, apenas para chegar ao incontorn\u00e1vel e abjeto final (p.128).<\/br>\n<\/br>\nA \u00faltima flor da terra<\/br>\n<\/br>\nO segundo A \u00faltima flor da terra \u00e9 \u201csobre a paix\u00e3o e outras v\u00e9speras da morte\u201d.<\/br>\n<\/br>\nTraz um pr\u00f3logo e um ep\u00edlogo na extremidade de dois Livros. O Livro Um: Caderno de notas do rascunho da vida, seguido de Livro Dois: Caderneta do fiado com Deus. O detalhe \u00e9 que todos s\u00e3o datados entre par\u00eanteses: para os Livros (1967-1992); (1993-2015), nas quais se percebe em detalhe, a ironia na dura\u00e7\u00e3o do Pr\u00f3logo (!16 d.C. \u2013 2016) e o Ep\u00edlogo (2015-2016).<\/br>\n<\/br>\nEnt\u00e3o, chama logo aten\u00e7\u00e3o, para quem acabou de ler sobre o ci\u00fame e outros bastardos triunfantes, que neste tamb\u00e9m haver\u00e1 muita paix\u00e3o desvairada ou amor desencontrado, provocando-se em regi\u00f5es pr\u00f3ximas da morte. A\u00ed se localizam os pontos de contato a aproximar os dois primeiros romances da trilogia. E tamb\u00e9m no nome da cidadezinha: Itapuy. Identifica-se o parentesco imediato, ao se ler o encontro m\u00e1gico com o alvo da paix\u00e3o do narrador, outro Pedro. \u201cEu sou Pedro\u201d, ele disse; \u201cEu sei, ela respondeu. Era 1982, ele estudava direito e ela era Doutora em Teoria Liter\u00e1ria. Mais de vinte anos os separavam na idade\u201d (p.144). Aqui penso que haver\u00e1 menos interfer\u00eancia das vidas de fam\u00edlia, j\u00e1 que o romance dever\u00e1 ser secreto.<\/br>\n<\/br>\nCombinaram de se encontrar na fazenda dela. O enredo segue: ela na vida familiar entre marido e filhos. Ele, na esb\u00f3rnia da juventude em cidade pequena, frequentando mulheres e o bar Distopia. Mas h\u00e1, entre os dois romances, uma mudan\u00e7a de lente: se no primeiro as lentes ampliam o foco para o tempo, a cidade, a funda\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, neste, ainda que se situe bem numa \u00e9poca, e num espa\u00e7o a lente \u00e9 mais fotogr\u00e1fica, trabalha no m\u00e1ximo em plano americano ou em zoom, buscando a intimidade, em muitas cenas criando a ilus\u00e3o de que se fotografa a alma.<\/br>\n<\/br>\nNa casa da fazenda, seguiram sem desvios ao quarto. Pedro a despiu cuidado, admirando cada nuan\u00e7a revelada do corpo vi\u00e7oso daquela mulher. Estavam apenas no segundo encontro e a\u00ed ainda havia muitas descobertas a serem feitas. Com mimos e regalos, fizeram um amor vigoroso eterno. Serenamente, ao possu\u00ed-la por tr\u00e1s, ele novamente impressionou-se com as tr\u00eas pintas escuras no alto da n\u00e1dega direita que a direita, beijou-as suavemente e resolveu nome\u00e1-las: \u201cvou chamar essas suas marcas de Caravelas em homenagem \u00e0s de Colombo: La Pinta, La Ni\u00f1a e Santa Maria\u201d. Ela sorriu assentindo e ele completou: \u201cdepois voc\u00ea vai tatuar uma Nau com a cruz-de-malta na vela, bem aqui embaixo dos sinais agora como tributo ao meu Vasco da Gama\u201d[&#8230;](p.156).<\/br>\n<\/br>\nO conflito interno se instalava na alma de Ana Maria, de forma\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, remo\u00eda-lhe o remorso pela vida dupla. Al\u00e9m do qu\u00ea, come\u00e7ou a cobrar dele os excessos de festas, \u00e1lcool e mulheres, no bar e em casa das amigas. Ele acabou resolvendo dar um tempo em Salvador para estudar. Despediu-se de Rafisa, depois de uma cena terr\u00edvel em que ela, b\u00eabada, tomada pelo desejo e pelo ci\u00fame, avan\u00e7ou sobre ele, machucando-o. Separaram-se para sempre. Mas na despedida h\u00e1 uma bela cena em que a letra da m\u00fasica de Gal forjou um di\u00e1logo de despedida, que realmente s\u00f3 ocorreu no imagin\u00e1rio:<\/br>\n<\/br>\nAlgu\u00e9m trouxe uma toalha e ele come\u00e7ou a limpar-se, depois se levantou e saiu o silenciosamente, por\u00e9m, antes de alcan\u00e7ar a porta ainda ouviu Rafisa pela \u00faltima vez: estou t\u00e3o cansada e triste, mas n\u00e3o para dizer que eu n\u00e3o acredito mais em voc\u00ea. Ele pensou em responder com a mesma letra da can\u00e7\u00e3o Vapor Barato, quis falar: Oh! minha Honey Baby! Estou indo embora, talvez eu volte, um dia eu volto, quem sabe, mas eu preciso, eu preciso esquec\u00ea-la. Mas n\u00e3o disse nada, n\u00e3o falou que poderia ter dito para Rafisa naquela triste despedida: que a respeitava e admirava, que ela era uma grande garota, por\u00e9m, pelo imponder\u00e1vel da vida, naqueles dias, e para sempre, ele amava outra, tamb\u00e9m admir\u00e1vel e enorme mulher. Todavia as palavras n\u00e3o foram expressadas e tudo terminou com as coisas soltas pelo meio do caminho, restos de emo\u00e7\u00f5es contidas, o gosto amargo que permanece a causar n\u00e1usea eternamente (p.171-2).<\/br>\n<\/br>\nO amor mesmo, havia encontrado em um acaso, ou n\u00e3o&#8230;<\/br>\n<\/br>\nA vida \u00e9 o outro na rela\u00e7\u00e3o com a sociedade ou na perdi\u00e7\u00e3o do amor a vida ser\u00e1 sempre o encontro com o outro minha epifania pessoal a apari\u00e7\u00e3o do essencial em minha vida ocorreu numa tarde de 1982 caminhando num bosque quando encontrei Ana Maria ou ela me encontrou pois hoje acho que aquele encontro n\u00e3o foi t\u00e3o fortuito ocasional \u00e0s vezes me toma dominado pela certeza de que Ana Maria conhecendo nossa hist\u00f3ria ancestral forjou aquele encontro de forma deliberada para provocar nossa aproxima\u00e7\u00e3o (p.230).<\/br>\n<\/br>\nMas este amor quase o levara \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o.<\/br>\n<\/br>\nFoi na primavera de 1992 naquele final de semana prolongado com feriado na segunda-feira depois de muito \u00e1lcool e muito sexo adormecemos extasiados latidos do cachorro e gritos dentro do quarto nos acordaram assustados na madrugada era o marido dela com uma arma na m\u00e3o b\u00eabado e transtornado de \u00f3dio e ela reagindo com xingamentos como eu nunca vira antes uma discuss\u00e3o ele atirou ela caiu ensanguentada eu me ataquei com ele e rolamos no ch\u00e3o o rev\u00f3lver ele escapuliu da m\u00e3o dele e correu no assoalho na dire\u00e7\u00e3o dela ela gritava sai sai afasta eu me desviencei dele rolei no ch\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao banheiro ouvi outro tiro ela estava de p\u00e9 com 38 na m\u00e3o e ele morto estendido no ch\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 bem voc\u00ea est\u00e1 bem ela me perguntava eu n\u00e3o respondi nada ela havia acertado de rasp\u00e3o para ele havia acertado de rasp\u00e3o o bra\u00e7o dela mas ela fulminou com um tiro no peito abra\u00e7amos e sentamos na cama o dia estava amanhecendo quando ela acalma racional L\u00facia de l\u00f3gica colocou a arma ao lado do corpo do marido o corpo o quarto lavado de sangue me deu outro abra\u00e7o e falou vai embora vou ligar para o delegado ele \u00e9 seu amigo n\u00e3o \u00e9 depois de descer os degraus da varanda no meio do jardim da entrada eu olhei para tr\u00e1s e apenas nesse momento percebi que ela estava completamente nua foi a \u00faltima vez que a vi com vida\nEm busca de Julio Packard<\/br>\n<\/br>\nE o terceiro livro da, Em busca de Julio Packard como subt\u00edtulo (sobre o amor e outras crueldades da vida) evidencia, nas tr\u00eas Partes que o constituem, ser um livro escrito por um amante da literatura, como ali\u00e1s aponta em recursos de intertextualidade em diversas passagens, ser um livro de leitor, um leitor que parafraseia Proust e sua longa busca pelo tempo perdido, n\u00e3o sem ironicamente montar um Em busca de Julio Packard4: a Parte 1 \u00e9 No caminho de Chacarita, n\u00e3o de Swann; a Parte 2, \u00c0 sombra da aceroleira em flor, n\u00e3o das Raparigas&#8230; mas as refer\u00eancias n\u00e3o podem ser mais expl\u00edcitas a Em busca do tempo perdido&#8230; numa par\u00e1frase p\u00f3s-moderna que abala a seriedade do original.<\/br>\n<\/br>\nA trama n\u00e3o \u00e9 complexa, mas bastante imaginativa: ao encontrar a refer\u00eancia a um poeta na dedicat\u00f3ria de um livro de Pablo Neruda, o personagem, que precisava dar um novo rumo \u00e0 sua vida, toma uma decis\u00e3o.<\/br>\n<\/br>\nJ\u00e1 era quase um idoso quando vivi minha crise existencial. Com 55 anos morava em Ilh\u00e9us, no sul da Bahia entre o mar e a mata, suportando um carregamento intoler\u00e1vel de arrependimentos e remorsos encurralado pelos sentidos, vencido pela \u00e9tica da escola, humilhado pela moral da igreja e convencido de que j\u00e1 n\u00e3o havia mais nenhuma porta, tomei um t\u00e1xi para o aeroporto Jorge Amado, no Pontal, entrei num avi\u00e3o e amanheci no outro dia em Buenos Aires, onde encontrei um poeta perdido no tempo, uma nova corrente filos\u00f3fica para o sentido da vida e, talvez, \u2013 provavelmente esteja errado \u2013 voltei, meses depois, remo\u00e7ado e pronto para atravessar os dias terr\u00edveis que sempre se colocam no caminho de todos n\u00f3s, at\u00e9 a hora marcada para pegar a barca de Caronte, filho de Nix e de \u00c9rebo, e fazer a travessia final (p.245).<\/br>\n<\/br>\n[&#8230;]<\/br>\n<\/br>\nEnt\u00e3o comecei a minha vida sacra em busca de Julio Pakard (p.256)<\/br>\n<\/br>\nAs emo\u00e7\u00f5es da busca resultam em vitorioso encontro \u201ccomo quando voc\u00ea tem certeza que encontrou o que procurava e n\u00e3o quer perder nunca mais; foi um dia para sempre\u201d (p. 362).<\/br>\n<\/br>\nO passado fora recomposto.<\/br>\n<\/br>\nFinal<\/br>\n<\/br>\nAs emo\u00e7\u00f5es e sentimentos que subintitulam os livros indicam outro modo de ler os tr\u00eas livros em paralelismo: ci\u00fame, paix\u00e3o e amor, sentimentos fortes que encontram modos de se manifestar diferenciados no tempo e no espa\u00e7o das tr\u00eas hist\u00f3rias.<\/br>\n<\/br>\nOs enredos s\u00e3o ricos e emaranhados em um ir e vir de fios, de tal modo a suscitar perguntas, ao longo da trama, que v\u00e3o sendo respondidas \u00e0 medida que se progride na leitura e, simultaneamente, se retrocede no tempo da hist\u00f3ria. O ficcionista nos conduz por seus Labirintos, evidenciando tratar-se de uma obra tripartida, mas regida pela condu\u00e7\u00e3o do tempo. Um guia condutor \u00e9 o fio do tempo, que o narrador n\u00e3o solta, em nenhuma das hist\u00f3rias, um fio que vai prendendo \u00e0 margem das narrativas, com datas fundamentais, eventos inesquec\u00edveis a n\u00edvel nacional, como o tempo das Diretas J\u00e1, por exemplo, facilita\u00e7\u00f5es para que se retenham sequ\u00eancias ficcionais na mem\u00f3ria de quem l\u00ea: a marca\u00e7\u00e3o das datas acompanha a escrita, se voc\u00ea se perde, pode voltar no tempo; e tamb\u00e9m no espa\u00e7o, sua dupla insepar\u00e1vel. Esse recurso ao controle da temporalidade \u00e9 comum \u00e0s tr\u00eas narrativas, e se torna mais ou menos persistente, a depender da complexidade do enredo.<\/br>\n<\/br>\nOutro aspecto curioso e instigante na leitura s\u00e3o as constantes refer\u00eancias \u00e0 Literatura. \u00c0s vezes a personagem est\u00e1 com livro na m\u00e3o, e o usa no di\u00e1logo, como o O Alef, de Borges; \u201cse voc\u00ea terminar de ler esse livro algum, ent\u00e3o ser\u00e1 outra pessoa, nesse dia [&#8230;] entender\u00e1 todo labirinto em que me meti e por que me nego ao que desejo\u201d. Era O Alef, de Borges\u201d(p.75).Outras vezes s\u00e3o os autores que vem, como o Neruda, no terceiro romance; outras, apenas uma frase traz a lembran\u00e7a da leitura, como em \u201cCome\u00e7ava o inverno da nossa exist\u00eancia, uma alus\u00e3o ao verso de Shakespeare em Ricardo III. Essa ca\u00e7a ao tesouro pode ser uma divers\u00e3o fascinante, um b\u00f4nus que a obra oferece a seu leitor. No \u00faltimo romance a intertextualidade \u00e9 mais estrutural, vem da lembran\u00e7a de modos de narrar de autores argentinos, como Borges ou Bioy Casares. Sem falar no pr\u00f3prio ambiente em que se passa a hist\u00f3ria a Buenos Aires desses autores.<\/br>\n<\/br>\nMais um aspecto pode-se comentar em rela\u00e7\u00e3o ao processo de singulariza\u00e7\u00e3o usado por Adroaldo Almeida: como se v\u00ea em Chklovski, o paralelismo \u00e9 um desses modos, para acentuar aspectos as vezes despercebidos, pela insist\u00eancia com que s\u00e3o evidenciados. Nas duas primeiras hist\u00f3rias isso ocorre no n\u00edvel do enredo, com o esfor\u00e7o de lutar contra o destino.<\/br>\n<\/br>\nAinda se pode dizer que uma proposta liter\u00e1ria como esta \u00e9 exemplar para o que Roland Barthes chama de \u201cler levantando a cabe\u00e7a\u201d no ensaio que, muito oportunamente se chama Escrever a leitura. N\u00e3o \u00e9 isso mesmo? Tenho pudor de emprestar livro que eu tenha apreciado muito, porque fica todo escrito por mim, nas contracapas brancas, nas folhas de guarda, que \u00e0s vezes vem a mais. Ah! Como \u00e9 bom, tempos depois, voltar a esses livros e ter l\u00e1 toda a \u201ccola\u201d das leituras anteriores. Obrigada, Adroaldo Almeida.<\/br>\n<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"787\" height=\"788\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ana-maria-bulhc3b5es2.jpg?resize=787%2C788&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-47890 size-full\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ana-maria-bulhc3b5es2.jpg?w=787&amp;ssl=1 787w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ana-maria-bulhc3b5es2.jpg?resize=399%2C400&amp;ssl=1 399w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ana-maria-bulhc3b5es2.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ana-maria-bulhc3b5es2.jpg?resize=768%2C769&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ana-maria-bulhc3b5es2.jpg?resize=510%2C511&amp;ssl=1 510w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ana-maria-bulhc3b5es2.jpg?resize=100%2C100&amp;ssl=1 100w, https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ana-maria-bulhc3b5es2.jpg?resize=64%2C64&amp;ssl=1 64w\" sizes=\"auto, (max-width: 787px) 100vw, 787px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>Ana Maria de Bulh\u00f5es-Carvalho \u00e9 professora Titular aposentada do Departamento de Teoria do Teatro da UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) (Jan.1992-Set.2021). Formada em Literatura Comparada pela UFRJ, fez Doutorado na mesma universidade e p\u00f3s-doutorado na Letras da PUC-RJ. Pesquisou Literatura e Teatro contempor\u00e2neos, com publica\u00e7\u00f5es nas duas \u00e1reas. Foi respons\u00e1vel pela editoria de O percevejo Revista de Cr\u00edtica e pesquisa em Artes C\u00eanicas, na forma impressa e depois virtual (1993-2018). Foi Pr\u00f3-Reitora de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, Pesquisa e Extens\u00e3o da Universidade da UNIRIO entre 2000 e 2004. Nesta Universidade foi ainda Coordenadora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Artes C\u00eanica durante diversos per\u00edodos, como tamb\u00e9m foi Chefe do Departamento de Teoria do Teatro. Foi Bolsista do Nosso Estado pela Faperj e Pesquisadora do CNPq.<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando uma p\u00e1gina soa aut\u00eantica, isso n\u00e3o se deve \u00e0 vida, mas ao talento do autor. A literatura n\u00e3o copia a vida, ela a inventa, ela a provoca, ela a<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":47888,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[20603,193],"tags":[],"class_list":["post-47887","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronicas-editoriais","category-sem-categoria"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida - Caravana Grupo Editorial<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Na \u00faltima FLIP (novembro de 2023) participei da mesa que fez bastante sucesso. A quest\u00e3o era: Como nasce um romance? Esta \u00e9 uma pergunta que nos leva aos tantos mist\u00e9rios que a vida engloba. Com o livro pronto, o pr\u00f3prio autor j\u00e1 n\u00e3o se lembra das pequenas inspira\u00e7\u00f5es que o envolveram para que criasse cada momento da hist\u00f3ria. Como escrevo romances policiais, come\u00e7o criando uma estrutura de come\u00e7o, meio e fim ou crime, investiga\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o. Pego um fato real, que seleciono entre as tantas trag\u00e9dias que s\u00e3o noticiadas pela m\u00eddia, e parto para a fic\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, qualquer semelhan\u00e7a com a realidade \u00e9 mera coincid\u00eancia. Quando monto a estrutura, o que preciso saber \u00e9 o que o leitor vai perguntar durante toda a leitura: Quem \u00e9 o assassino(a)? Eu, como autora, tenho de saber quem matou para ir levando a hist\u00f3ria nessa dire\u00e7\u00e3o.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida - Caravana Grupo Editorial\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Na \u00faltima FLIP (novembro de 2023) participei da mesa que fez bastante sucesso. A quest\u00e3o era: Como nasce um romance? Esta \u00e9 uma pergunta que nos leva aos tantos mist\u00e9rios que a vida engloba. Com o livro pronto, o pr\u00f3prio autor j\u00e1 n\u00e3o se lembra das pequenas inspira\u00e7\u00f5es que o envolveram para que criasse cada momento da hist\u00f3ria. Como escrevo romances policiais, come\u00e7o criando uma estrutura de come\u00e7o, meio e fim ou crime, investiga\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o. Pego um fato real, que seleciono entre as tantas trag\u00e9dias que s\u00e3o noticiadas pela m\u00eddia, e parto para a fic\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, qualquer semelhan\u00e7a com a realidade \u00e9 mera coincid\u00eancia. Quando monto a estrutura, o que preciso saber \u00e9 o que o leitor vai perguntar durante toda a leitura: Quem \u00e9 o assassino(a)? Eu, como autora, tenho de saber quem matou para ir levando a hist\u00f3ria nessa dire\u00e7\u00e3o.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Caravana Grupo Editorial\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/caravanagrupoeditorial\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-08-14T04:10:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-02-09T20:01:40+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1080\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1080\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"caravanagrupoedi\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"caravanagrupoedi\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tiempo estimado de lectura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"29 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/\"},\"author\":{\"name\":\"caravanagrupoedi\",\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#\/schema\/person\/abf39d87b39b20bc7acbebdea985becc\"},\"headline\":\"As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida\",\"datePublished\":\"2024-08-14T04:10:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-02-09T20:01:40+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/\"},\"wordCount\":5421,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1\",\"articleSection\":[\"Cr\u00f4nicas editoriais\",\"Sem categoria\"],\"inLanguage\":\"es-CL\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/\",\"url\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/\",\"name\":\"As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida - Caravana Grupo Editorial\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1\",\"datePublished\":\"2024-08-14T04:10:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-02-09T20:01:40+00:00\",\"description\":\"Na \u00faltima FLIP (novembro de 2023) participei da mesa que fez bastante sucesso. A quest\u00e3o era: Como nasce um romance? Esta \u00e9 uma pergunta que nos leva aos tantos mist\u00e9rios que a vida engloba. Com o livro pronto, o pr\u00f3prio autor j\u00e1 n\u00e3o se lembra das pequenas inspira\u00e7\u00f5es que o envolveram para que criasse cada momento da hist\u00f3ria. Como escrevo romances policiais, come\u00e7o criando uma estrutura de come\u00e7o, meio e fim ou crime, investiga\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o. Pego um fato real, que seleciono entre as tantas trag\u00e9dias que s\u00e3o noticiadas pela m\u00eddia, e parto para a fic\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, qualquer semelhan\u00e7a com a realidade \u00e9 mera coincid\u00eancia. Quando monto a estrutura, o que preciso saber \u00e9 o que o leitor vai perguntar durante toda a leitura: Quem \u00e9 o assassino(a)? Eu, como autora, tenho de saber quem matou para ir levando a hist\u00f3ria nessa dire\u00e7\u00e3o.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"es-CL\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es-CL\",\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1\",\"width\":1080,\"height\":1080},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#website\",\"url\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/\",\"name\":\"Caravana Grupo Editorial\",\"description\":\"\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"es-CL\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#organization\",\"name\":\"Caravana Grupo Editorial\",\"url\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es-CL\",\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/cropped-Logo_Caravana.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/cropped-Logo_Caravana.png\",\"width\":512,\"height\":512,\"caption\":\"Caravana Grupo Editorial\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/caravanagrupoeditorial\",\"https:\/\/www.instagram.com\/caravanagrupoeditorial\/?hl=pt-br\",\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCdD-xosEkpHCeRn2nDLiXfQ\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#\/schema\/person\/abf39d87b39b20bc7acbebdea985becc\",\"name\":\"caravanagrupoedi\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es-CL\",\"@id\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/02641089989b922fd250eec06f32a7c0c5f92990b8f8723a985ab17341a65374?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/02641089989b922fd250eec06f32a7c0c5f92990b8f8723a985ab17341a65374?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/02641089989b922fd250eec06f32a7c0c5f92990b8f8723a985ab17341a65374?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"caravanagrupoedi\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\"],\"url\":\"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/author\/caravanagrupoedi\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida - Caravana Grupo Editorial","description":"Na \u00faltima FLIP (novembro de 2023) participei da mesa que fez bastante sucesso. A quest\u00e3o era: Como nasce um romance? Esta \u00e9 uma pergunta que nos leva aos tantos mist\u00e9rios que a vida engloba. Com o livro pronto, o pr\u00f3prio autor j\u00e1 n\u00e3o se lembra das pequenas inspira\u00e7\u00f5es que o envolveram para que criasse cada momento da hist\u00f3ria. Como escrevo romances policiais, come\u00e7o criando uma estrutura de come\u00e7o, meio e fim ou crime, investiga\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o. Pego um fato real, que seleciono entre as tantas trag\u00e9dias que s\u00e3o noticiadas pela m\u00eddia, e parto para a fic\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, qualquer semelhan\u00e7a com a realidade \u00e9 mera coincid\u00eancia. Quando monto a estrutura, o que preciso saber \u00e9 o que o leitor vai perguntar durante toda a leitura: Quem \u00e9 o assassino(a)? Eu, como autora, tenho de saber quem matou para ir levando a hist\u00f3ria nessa dire\u00e7\u00e3o.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/","og_locale":"es_ES","og_type":"article","og_title":"As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida - Caravana Grupo Editorial","og_description":"Na \u00faltima FLIP (novembro de 2023) participei da mesa que fez bastante sucesso. A quest\u00e3o era: Como nasce um romance? Esta \u00e9 uma pergunta que nos leva aos tantos mist\u00e9rios que a vida engloba. Com o livro pronto, o pr\u00f3prio autor j\u00e1 n\u00e3o se lembra das pequenas inspira\u00e7\u00f5es que o envolveram para que criasse cada momento da hist\u00f3ria. Como escrevo romances policiais, come\u00e7o criando uma estrutura de come\u00e7o, meio e fim ou crime, investiga\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o. Pego um fato real, que seleciono entre as tantas trag\u00e9dias que s\u00e3o noticiadas pela m\u00eddia, e parto para a fic\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, qualquer semelhan\u00e7a com a realidade \u00e9 mera coincid\u00eancia. Quando monto a estrutura, o que preciso saber \u00e9 o que o leitor vai perguntar durante toda a leitura: Quem \u00e9 o assassino(a)? Eu, como autora, tenho de saber quem matou para ir levando a hist\u00f3ria nessa dire\u00e7\u00e3o.","og_url":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/","og_site_name":"Caravana Grupo Editorial","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/caravanagrupoeditorial","article_published_time":"2024-08-14T04:10:00+00:00","article_modified_time":"2026-02-09T20:01:40+00:00","og_image":[{"width":1080,"height":1080,"url":"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1","type":"image\/png"}],"author":"caravanagrupoedi","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"caravanagrupoedi","Tiempo estimado de lectura":"29 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/"},"author":{"name":"caravanagrupoedi","@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#\/schema\/person\/abf39d87b39b20bc7acbebdea985becc"},"headline":"As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida","datePublished":"2024-08-14T04:10:00+00:00","dateModified":"2026-02-09T20:01:40+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/"},"wordCount":5421,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1","articleSection":["Cr\u00f4nicas editoriais","Sem categoria"],"inLanguage":"es-CL","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/","url":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/","name":"As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida - Caravana Grupo Editorial","isPartOf":{"@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1","datePublished":"2024-08-14T04:10:00+00:00","dateModified":"2026-02-09T20:01:40+00:00","description":"Na \u00faltima FLIP (novembro de 2023) participei da mesa que fez bastante sucesso. A quest\u00e3o era: Como nasce um romance? Esta \u00e9 uma pergunta que nos leva aos tantos mist\u00e9rios que a vida engloba. Com o livro pronto, o pr\u00f3prio autor j\u00e1 n\u00e3o se lembra das pequenas inspira\u00e7\u00f5es que o envolveram para que criasse cada momento da hist\u00f3ria. Como escrevo romances policiais, come\u00e7o criando uma estrutura de come\u00e7o, meio e fim ou crime, investiga\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o. Pego um fato real, que seleciono entre as tantas trag\u00e9dias que s\u00e3o noticiadas pela m\u00eddia, e parto para a fic\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, qualquer semelhan\u00e7a com a realidade \u00e9 mera coincid\u00eancia. Quando monto a estrutura, o que preciso saber \u00e9 o que o leitor vai perguntar durante toda a leitura: Quem \u00e9 o assassino(a)? Eu, como autora, tenho de saber quem matou para ir levando a hist\u00f3ria nessa dire\u00e7\u00e3o.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#breadcrumb"},"inLanguage":"es-CL","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es-CL","@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1","width":1080,"height":1080},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/as-singularizacoes-de-uma-escrita-em-trilogia-curta-da-vida-breve-de-adroaldo-almeida\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"As singulariza\u00e7\u00f5es de uma escrita em Trilogia curta da vida breve, de Adroaldo Almeida"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#website","url":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/","name":"Cat\u00e1logo - Alicanto Editorial","description":"","publisher":{"@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"es-CL"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#organization","name":"Cat\u00e1logo - Alicanto Editorial","url":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es-CL","@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/cropped-Logo_Caravana.png","contentUrl":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/cropped-Logo_Caravana.png","width":512,"height":512,"caption":"Caravana Grupo Editorial"},"image":{"@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/caravanagrupoeditorial","https:\/\/www.instagram.com\/caravanagrupoeditorial\/?hl=pt-br","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCdD-xosEkpHCeRn2nDLiXfQ"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/#\/schema\/person\/abf39d87b39b20bc7acbebdea985becc","name":"caravanagrupoedi","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es-CL","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/02641089989b922fd250eec06f32a7c0c5f92990b8f8723a985ab17341a65374?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/02641089989b922fd250eec06f32a7c0c5f92990b8f8723a985ab17341a65374?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/02641089989b922fd250eec06f32a7c0c5f92990b8f8723a985ab17341a65374?s=96&d=mm&r=g","caption":"caravanagrupoedi"},"sameAs":["https:\/\/caravanagrupoeditorial.com"],"url":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/author\/caravanagrupoedi\/"}]}},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/caravanagrupoeditorial.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cronicas-editoriais-14082024.png?fit=1080%2C1080&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47887"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47887\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47914,"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47887\/revisions\/47914"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47888"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/caravanagrupoeditorial.com\/es_cl\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}