Eu atravessava a rua e tinha nas mãos uma cesta de verduras fresquinhas. Do outro lado, uma idosa manca atravessava, também, a rua, em sentido contrário, levando na mão esquerda dois cachorros que deliravam ao sol. De súbito, a senhora, os cachorros e eu começamos a sentir falta de ar, numa mistura insana de febre e insônia. Com medo da morte, busquei um lápis e comecei a rabiscar as coisas e os acontecimentos que, doravante, ocupariam os meus dias, os pileques, os tédios, as alegrias, os afetos e os temores. As conspirações, também. Quando um dia a respiração voltou, eu estava sozinho na praça com um diário nas mãos e três cachorros absolutos. A velha acabou de atravessar a rua e parece que virou ventania.
Antônio Souza Capurnan escritor, educador, natural da cidade de Machacalis, Nordeste de Minas. Filho de dona Geralda e de seo José. Irmão dos rios, da justiça, dos ventos, da chuva e dos pássaros. Além de autor dos livros Palavra que conspira, Flores no pote, Cartas da utopia, Valsa mínima, Nalgibeira, lançou os CDs: Gestar, Cantoria de pranto e festa e solfejos do querer bem. Cantador, vendedor de sonhos, empinador de papagaios, pai de Gabriel e Naíme. Tutor da esperança e de alguns agregados: Valente, Queen e Yimi Astolfo.
Título da obra: A vertigem, os cachorros e a esperança
Autor: Antônio Souza Capurnan
Gênero da Obra: Romance
Formato: 14x23 cm
ISBN: 978
Número de páginas:
Editora: Caravana
Capa e Editoração eletrônica: Ayumi Shimamoto





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