É uma marca da poeta mariam pessah o jogo de palavras, com muita perfeição, ora palavras inventadas, ora a língua mãe misturando-se com o português, um tabuleiro poético entre sonoridade e grafia. Em meio aos poemas que falam da pandemia, também encontramos as gatas, as mulheres, o mar, as lésbicas, as feministas, mas antes de tudo os poemas retratam a Vida e não a Morte. Como uma poeta sobrevive nesse período? Ela percebeu a importância da continuidade do escreVer através de cada pessoa que resistiu em mares bravios à turbulência instaurada e com sua escrita nos faz entender que não há finitude no poema e escreve: “os poemas não são terminados pela poeta”. Certamente, mariam pessah continuará a nos surpreender a cada linha, a cada palavra, a cada grito do seu manifesto Vida materializado no seu último ou no seu próximo poema.
Lilian Rocha
(Escritora, poeta e musicista)

mariam pessah nasce em Buenos Aires em 1968 e chega a Porto Alegre em 2001. É fotógrafa, ARTivista feminiSta, escritora e poeta. Foi também ativista lésbika-feminista durante 20 anos. Tem cinco livros publicados, sendo os mais recentes: Em breve tudo se desacomodará (romance, 2022) e Grito de mar (poesia bilíngue, 2019). Organizadora do Sarau das minas (Porto Alegre), ministra a Oficina de escrita e escuta feminiSta e trabalha como tradutora.



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